E se os sites de notícias jurídicas virarem tablóides?

22fev11

Coisa primordial quando se elabora qualquer texto, especialmente quando ele se destina a divulgar ou comentar alguma notícia, é cuidar para que ela (a notícia) seja a mais correta possível. Para que isso ocorra, o autor não precisa dar um copy/past, ele pode sim ofertar a sua interpretação pessoal da notícia, desde que essa interpretação não distorça fatos ou induza o leitor a erro. Abaixo relatarei aos leitores fatos que demonstram como notícias mal divulgadas podem influenciar o mundo jurídico e a vida das pessoas.

1) Notícias jurídicas com pouca acuidade:

Notícias do mundo jurídico me interessam; por este motivo, assinei os feeds de todos os tribunais estaduais (que os possuíam – sim, existem tribunais que não os ofertam, você acaba tendo de visitar o site todos os dias), além do CNJ, STF e STF e de inúmeros outros sites dedicados ao assunto, como ‘Consultor Jurídico’, ‘JusBrasil’, ‘Jurisway’, ‘Última Instância’, ‘Jusnavigandis’, entre outros. Isso deveria me garantir que a mesma notícia fosse interpretada pelos mais diversos ângulos, certo?

Infelizmente não é o que ocorre; tenho percebido que muitos destes sites se limitam a simplesmente copiar o texto de outros, sem que ninguém se preocupe em ir direto à fonte da notícia. Quer um exemplo? Após uma série de ataques que ocorreram contra prédios do Poder Judiciário de várias localidades, uma medida de segurança foi tomada: quase todos os prédios do país já possuem portas com detectores de metais. Ocorre que em muitos locais, os servidores e magistrados não passam por estas portas; foi o que ocorreu na Justiça Federal do Espírito Santo: partes e advogados eram submetidos a essa porta, mas servidores e magistrados não.

Ocorre que não há hierarquia entre juízes, promotores e magistrados, eles estão no que podemos chamar de ‘patamar de igualdade’ (todos são essenciais à justiça) e a Ordem dos Advogados do Brasil daquele Estado resolveu propor o pedido de providência nº 0004470-55.2010, perante o Conselho Nacional da Justiça. O intento da OAB era que os advogados também fossem dispensados de passar pela porta; bastaria que o causídico apresentasse a identificação funcional.

Ocorre que dito Conselho decidiu de um modo diferente: que todos (incluindo nesta conta: advogados, juízes, promotores e serventuários) têm de passar pelo detector, pois trata-se de medida de segurança. A notícia original pode ser encontrada no site do CNJ.

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