Carteirada é tão ruim quanto corrupção

13fev11

“…todo o homem que tem em mãos o poder é sempre levado a abusar do mesmo; e assim irá seguindo, até que encontre algum limite. E, quem o diria, até a própria virtude precisa de limites…”(Montesquieu in ‘O Espírito das Leis’, Livro XI, Capítulo IV)

 

O texto acima, de autoria de Charles-Louis de Secondat, Barão de La Brèd et Montesquieu data do ano de 1.748, mas, de forma incrível, retrata fielmente a realidade atual: quem tem poder, dele abusa e isso é um problema endêmico.

Este ano, dois casos chamaram a atenção: um foi de um Procuradora do Trabalho, que supostamente estaria dirigindo embriagada e, por conta disso, causado um acidente. A notícia foi veiculada no dia 11 de janeiro, no Portal O Globo. Na ocasião a mídia fez verdadeiro estardalhaço em cima disso. O motivo? Estardalhaços como esse atraem leitores. Agora, o mais importante mesmo seria o porquê de notícias sobre autoridades sendo exemplarmente punidas serem tão populares?

Simples: as pessoas estão cansadas de viverem num mundo como o descrito pelo George Orwell (A Revolução dos Bichos); ou melhor: não querem mais protagonizarem o papel de “Sansão’ nesse conto real. O hábito de ‘dar carteirada’ não está mais sendo admitido ou bem-visto pela sociedade.

Hoje, outra notícia chamou a atenção: um juiz de direito estaria dirigindo seu carro importado (sem placas) sem CNH. Abordado numa blitz, fez o teste do bafômetro que deu negativo. A autoridade policial, verificando os documentos do veículo, percebeu que o prazo de 15 dias para emplacamento teria se expirado. Pela lei (artigo 230 do Código Brasileiro de Trânsito), o veículo teria de ser apreendido e o motorista infrator teria de levar uma multa de cerca de R$ 191,00 e 7 pontos na carteira. Além disso, como o magistrado não portava do documento obrigatório (CNH), levaria ainda outra multa (artigo 232 do mesmo codex).

Continue lendo >>>