Faixa de Gaza: Programa infantil ensina o assassínio

02abr08

 Armas Garotos

Caro leitor,

Imagine um programa infantil que contivesse a seguinte cena: uma marionete de papelão, representando um menino, assassina um Chefe-Estado de outra Nação.

De espada na mão, o boneco, ao cometer o assassínio, diz:

Você é um criminoso…um homem desprezível. Você fez de mim um órfão”

O Chefe-de-Estado ainda tenta insinuar alguma reação, pedindo ajuda aos amigos, mas por fim sucumbe, derrotado pelo jovem oponente.

Aterrorizante, né?

Mas é real! Esta cena foi veiculada num programa infantil transmitido na faixa de Gaza pela TV al Aqsa, do Hamas. Brandindo a ‘espada do Islã’, o boneco-marionete ignora os pedidos de clemência e os convites para uma Casas Branca cheia de brinquedos; a vítima, como não poderia deixar de ser, foi o presidente americano George W.Bush, que, vestido de uniforme militar e luvas de boxe, pede ajuda aos aliados mas morre. A marionete acusa o americano pela morte do pai na Guerra do Iraque, da mãe no Líbano e dos irmãos no que chama de ‘holocausto da Palestina’.

Pior que dito programa é sucesso de audiência em Gaza, não sendo a primeira vez que recorre a personagens carismáticos para ilustrar a resistência do grupo islâmico e convocar as crianças a lutarem contra Israel.

Segundo notícia veiculada na Folha de São Paulo (1), no ano passado dita TV apresentou o ‘Farfur’ (sósia do Mickey), que foi assassinado no ar, por grupos israelenses, após protestos da Disney pelas semelhanças com sua personagem clássica.

Dita figura foi substituída por outra, uma abelha chamada “Nahoul’, que também morreu, mas desta vez por falta de medicamentos, devido ao bloqueio israelense.

Como já disse, o fundamentalismo, tema abordado de forma brilhante por Karen Armstrong em seu livro “Em nome de Deus”, mostra-se extremamente perigoso para a Humanidade.

Infelizmente, porém, não é ele exclusividade dos povos muçulmanos, também observamos o fundamentalismo espalhando-se como praga também nas religiões cristãs, a exemplo, cito, de forma exaustiva, o programa “Jesus Camp”, onde também crianças são ensinadas a odiar não-cristãos.

Bolas! Religiões como meio de manipulação de massa! Religiões como desculpas para que humanos destilem seus ódios e aflorem suas bestialidades.

Seita é a religião dos outros”

Pra mim isso sim é monstruoso: transformar crianças em armas de guerra, trocar brinquedos por armas. E ainda ousam se auto-intitularem ‘Homens de Deus” !!!

Isso me lembra a “Canção do Senhor da Guerra”:

Mais uma guerra sem razão
Já são tantas as crianças
Com armas na mão
Mas explicam novamente
Que a guerra gera empregos
Aumenta a produção…

Uma guerra sempre avança
A tecnologia
Mesmo sendo guerra santa
Quente, morna ou fria
Prá que exportar comida?
Se as armas dão mais lucros
Na exportação…

(1) Fonte: Jornal Folha de São Paulo, 02.-04.08, pg. A15

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