Maomé: caricaturas ainda como desculpa para a violência

20mar08

Terror em nome de Alá 

Parece que o episódio das caricaturas do profeta Maomé (algumas de extremo mau-gosto, de me permitem dizer) não será enterrado tão cedo. Já serviram elas de desculpas para atos violentos, parece que serão ainda utilizados por muito tempo.


O líder da Al Qaeda, Osama bin Laden, ameaçou na quarta-feira impor severas punições à Europa por causa das caricaturas do profeta Maomé.Em gravação divulgada pela Internet, coincidindo com o aniversário do fundador do Islã, Bin Laden disse que os desenhos, considerados ofensivos pelos muçulmanos, são parte de uma “cruzada” que envolve também o papa Bento 16.

“Suas publicações desses desenhos – parte de uma nova cruzada em que o papa do Vaticano teve um papel significativo – é uma confirmação da sua parte que a guerra continua”, afirmou o militante de origem saudita, na mensagem endereçada “aos que são sábios na União Européia”.

“Vocês estão ‘testando os muçulmanos… a resposta será o que vocês deverão ver, e não o que ouvem. Que nossas mães nos percam para a morte se não nos erguermos na defesa do mensageiro de Deus”

No quinto aniversário da invasão norte-americana do Iraque, Bin Laden afirmou que a publicação das caricaturas foi uma ofensa mais grave “do que o bombardeio de modestas aldeias que desabaram sobre nossas meninas”.

As caricaturas foram publicadas originalmente em setembro de 2005 pelo jornal dinamarquês Jyllands-Posten, mas só provocaram polêmica mundial depois de serem republicadas, no ano seguinte. Em uma das caricaturas, Maomé aparece usando uma bomba no lugar do turbante.

Pelo menos 50 pessoas morreram em protestos contra a publicação das caricaturas, que segundo muitos muçulmanos são uma afronta ao Islã. Mas vários jornais reproduziram os desenhos alegando defender o direito à liberdade de expressão.

Bin Laden divulgou várias mensagens no ano passado, a última em 29 de novembro, após um hiato de bem mais que um ano – o que provocou rumores de que ele estaria morto ou incapacitado. Acredita-se que ele esteja escondido na fronteira entre Paquistão e Afeganistão.

Em setembro de 2007, ele divulgou uma gravação em que celebrava o sexto aniversário dos atentados de 11 de setembro de 2001 contra os Estados Unidos, atribuídos à sua rede Al. Qaeda.

Fonte: Globo on line

Cronologia dos fatos:
Quatro meses depois de sua publicação em um jornal dinamarquês, as caricaturas de Maomé desencadearam uma onda de protestos nos países muçulmanos.

– 30 de setembro de 2005: o jornal conservador Jyllands-Posten, o de maior tiragem da imprensa dinamarquesa, publica 12 caricaturas com o título de “As faces de Maomé”. Os representantes da comunidade muçulmana na Dinamarca exigem a retirada das charges e um pedido de desculpas oficial.

– 12 de outubro de 2005: o redator-chefe do Jyllands-Posten afirma ter recebido ameaças de morte.

– 14 de outubro de 2005: milhares de pessoas gritam “Só existe um Deus e Maomé é seu profeta” em uma manifestação em Copenhague.

– 20 de outubro de 2005: onze embaixadores de países muçulmanos na Dinamarca protestam contra a publicação das caricaturas. O primeiro-ministro, Anders Fogh Rasmussen, se nega a recebê-los.

– 29 de dezembro de 2005: os ministros árabes das Relações Exteriores reunidos na sede da Liga Árabe, no Cairo, “rejeitam e condenam este ataque contra a santidade das religiões, dos profetas e dos nobres valores do Islã”.

– 5 de janeiro de 2006: Dinamarca e Liga Árabe decidem distribuir nos países árabes uma carta do primeiro-ministro dinamarquês que, embora defenda a liberdade de expressão, condena “toda ação ou declaração que trate de demonizar determinados grupos devido à sua religião ou etnia”.

– 10 de janeiro de 2006: a revista cristã norueguesa Magazinet publica as caricaturas em nome da “liberdade de expressão”, com a autorização do Jyllands-Posten.

– 21 de janeiro de 2006: a União Internacional de Ulemás Muçulmanos ameaça no Cairo incitar “milhões de muçulmanos do mundo a boicotar os produtos e as atividades dinamarquesas e norueguesas”.

– 26 de janeiro de 2006: Arábia Saudita decide pelo retorno de seu embaixador em Copenhague para consultas. A empresa de lacticínios sueco-dinamarquesa Arla Foods começa a sofrer os efeitos do boicote na Arábia Saudita, que rapidamente se estende para Kuwait, Emirados Árabes Unidos, Jordânia e para a região do Magreb.

– 30 de janeiro de 2006: os países escandinavos anunciam medidas para proteger seus cidadãos residentes no Oriente Médio. O Jyllands-Posten pede desculpas aos muçulmanos ofendidos pelas caricaturas, em uma carta à agência jordaniana Petra.

– 31 de janeiro de 2006: a Magazinet pede desculpas apara aqueles que ficaram ofendidos com a sua iniciativa. Os ministros do Interior dos países árabes, reunidos em Túnis, pedem ao governo dinamarquês que “puna com firmeza” os autores das caricaturas.

– 1º de fevereiro de 2006: vários jornais europeus publicam as caricaturas em nome da liberdade de imprensa.

– 4 de fevereiro de 2006: as embaixadas da Dinamarca e da Noruega em Damasco são incendiadas.

– 5 de fevereiro de 2006: os protestos violentos contra as caricaturas se estendem pelo mundo árabe.

– 6 de fevereiro de 2006: quatro manifestantes afegãos são mortos a tiros durante as manifestações de protesto em Mihtarlam (Afeganistão) e Cabul contra as caricaturas. Na Somália morreu um outro manifestante e várias pessoas ficaram feridas em Bossaso (nordeste do país) durante um confronto entre as forças de segurança. Centenas de iranianos atacam as embaixadas da Dinamarca e da Áustria em Teerã, ao mesmo tempo em que a República Islâmica decide suspender seus intercâmbios comerciais com os dinamarqueses.

Os chefes de redação dos dois jornais jordanianos que foram detidos em 4 de fevereiro por terem publicado as caricaturas, e posteriormente foram libertados, voltaram a ser presos em Amã, depois da apelação do promotor-geral.

– 7 de fevereiro: quatro manifestantes afegãos morrem durante o ataque a um campo da Força Internacional de Assistência à Segurança (Isaf) no Afeganistão administrado pelo exército norueguês em Maimana, no norte do país.

Um turco de 16 anos é detido pelo assassinato, no dia 5, de um padre católico italiano em Trabzon, nordeste da Turquia. O canal NTV assegura que o jovem confessou ter matado o padre por causa das caricaturas.

– 9 de fevereiro: o jornal dinamarquês Jyllands Posten pediu desculpas aos muçulmanos por ter publicado a série de 12 charges do profeta Maomé em carta transmitida à imprensa argelina por meio da embaixada da Dinamarca em Argel.

Fonte: Terra

Atualizando:

A publicação de caricaturas do profeta Maomé na revista satírica francesa Charlie Hebdo não constitui uma ofensa em relação aos muçulmanos, decidiu nesta quarta-feira a Corte de Apelações de Paris, confirmando que o diretor do jornal foi absolvido.

Em 22 de março de 2007, o tribunal correccional de Paris havia absolvido o diretor da Charlie Hebdo, Philippe Val.

A União de Organizações Islâmicas da França e a Liga Islâmica Mundial apelaram do veredicto.

Entre os três desenhos incriminados figuram duas caricaturas que já havia sido publicadas no jornal dinamarquês Jyllands-Posten e que provocaram uma explosão de violência no mundo islâmico no início de 2006.

Em fevereiro de 2007, Charlie reiterou sua posição em defesa da liberdade de expressão publicando na capa uma caricatura de um padre, um rabino e um imã agitados e gritando: “É preciso botar uma mordaça na Charlie Hebdo”.

Segundo os querelantes, tratou-se de um ato de deliberada agressão.

Fonte: Uol

Comentário:

O fundamentalismo é uma praga que está se espalhando pelo mundo. Tal qual um rastilho de pólvora, pode ele levar a uma verdadeira explosão de violência.

O conceito de ‘Jihad’ é desvirtuado para justificar uma barbárie, uma das idéias mais perigosa da religião  é aquela que aduz que a violência/coerção são permitidas, desde que seja em nome de um bem maior, que é a crença em Deus.

Não só os muçulmanos a adotam, como historicamente podemos apontar outras que adotaram (como as Cruzadas ou os jesuítas) e ainda adotam, como, por exemplo, os vídeos ‘Jesus Camp’que relatam a existência de acampamentos cristãos onde se ensinam crianças a odiarem não-cristãos. Quem quiser conferir:

Vídeo 1
Vídeo 2
Vídeo 3
Vídeo 4
Vídeo 5

Qualquer um que tenha tido um mínimo contato com Direito Internacional facilmente percebe que um dos principais ‘princípios gerais’ dele é violado pela violência praticada por quaisquer povos que se auto-intitulam religiosos o absoluto respeito à vida humana (que é direito reconhecido em todos os povos civilizados).

Qualquer um que tenha um mínimo conhecimento do Alcorão sabe que a violência não é incentivada no livro sagrado. Ou seja: tais ‘fundamentalistas’ ultrapassam os limites de seu próprio livro sagrado, inspirado pelo profeta que tanto amam, para lançar-se à bestialidade, numa tentativa de impor aos demais sua torpeza.

Qualquer um que conheça um pouco de história sabe que dito profeta se auto-determinou em sua vida particular de forma que absolutamente incompatível com os preceitos de ‘um homem de Deus’ (noivando com uma menina chamada Aicha, de 6 anos e desposando-a aos 14). Critico este ato do mesmo nome que critico a pedofilia entre os padres católicos: Veja documentário sobre o assunto clicando aqui.

Qualquer um que tenha um mínimo conhecimento sabe que a verdadeira ação moral pressupõe a existência de liberdade (a pessoa ética ou moral deve ter a vontade livre, ou seja, a liberdade do sujeito é incondicionada, nada deve obrigá-lo a escolher para si o Imperativo Categórico).

Qualquer um que tenha um mínimo de bom-senso sabe que ‘a guerra (seja lá qual for) não faz ninguém grande’.

Por fim, saliento que os povos que assim agem ainda se auto-denominam ‘povo de Deus’. DEVERAS LAMENTÁVEL.

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