Perseguições étnicas

19mar08

luto 

Algumas feridas parecem não cicatrizar, são elas chagas abertas, a sangrar e doer o tempo todo. Um dos princípios de direito básicos em todas as Nações (e, conseqüentemente, aplicável também ao Direito Internacional) é o direito à vida, mas em todos os períodos da história humana o que mais observamos são episódios constantes de desrespeito à dito princípio.

As tentativas de extermínios de determinados grupos sociais, por perseguição étnica, são as que mais chocam, a exemplo citamos o Genocídio de Ruanda, ocorrido em 1994, onde a maioria hutu passou a perseguir a minoria futu, resultando na morte de 500.000 pessoas. O episódio foi retratado de forma excelente pelo filme ‘Hotel Ruanda”.

Outro, muito mais conhecido, foi o Holocausto, perpetrado pelo partido nazista, dirigido por Adolf Hitler, que resultou na morte de 6.000.000 de pessoas.

Tais episódios ressaltam a bestialidade humana e não podem ser apagados por atos ‘oficiosos’. Todavia, imperioso que tais questões sejam discutidas, para que não venham idiotas afirmar que eles não ocorreram (como o ex-apresentador Clodovil) ou tratarem de forma banal algo tão sério (como o príncipe Harry – Inglaterra, que foi à uma festa com o uniforme nazista).

Dizem que lembrar o passado pode ser uma forma de experimentar as mesmas sensações de outrora (e, se tal for verdade, relembrar os episódios poderiam causar maiores dores), mas esquecer, poderia ter efeito muito mais pernicioso: se não nos lembrarmos de nossos erros, podemos repeti-los.

Assim, até entendo que alguns se neguem terminantemente a discutir a questão, como é o caso dos chefes de governo da Alemanha, que sempre evitaram o assunto, como se fosse ele um ‘tabu’. A única que resolveu falar sobre a questão foi a atual chanceler alemã Ângela Mekel, que (fato inédito) resolveu abordar a questão em discurso proferido nesta terça-feira no Parlamento de Israel. Afirmou ela que os alemães sentem vergonha pelo Holocausto:

“O assassinato em massa de seis milhões de judeus, feito em nome da Alemanha, trouxe sofrimento indescritível ao povo judeu, à Europa e a todo o mundo. O shoah (termo usado pelos israelenses para designar o Holocausto) enche os alemães de vergonha […] “Eu me curvo diante dos sobreviventes e diante de todos os que os ajudaram a sobreviver. O rompimento com a civilização trazido pelo shoah não tem paralelos. Deixou feridas que ainda são sentidas hoje.” “

O discurso foi iniciado em hebraico, tendo ela agradecido aos parlamentares israelenses pelo convite e o término do discurso foi em alemão, o que causou protestos e boicotes por parte de alguns parlamentares.

No que se referem aos ‘atos oficiosos’ (gestos simbólicos): representantes do PSD (Partido Social Democrata) estão tentando retirar a cidadania do líder nazista Adolf Hitler, encabeçam o pleito as cidades de Brunswick (cidade por meio da qual Hitler obteve sua cidadania) e Bad Doberan – SÓ QUE esta última por motivos econômicos, haja vista que em junho ocorrerá a reunião do G8, o grupo de países mais industrializados mais a Rússia (nas eleições de 1932, os nazistas foram eleitos com ampla maioria nessa região).

Nada disso apagará o que ocorreu. Continuam aí as chagas e não serão elas amenizadas por tais coisas. Não podendo mudar a história, limito-me a oferecer minha solidariedade à todas as vítimas de todo tipo de perseguição: EU SINTO MUITO.

Confira íntegra das notícias:
Discurso da chanceler
Retirada de cidadania de Hitler

Para saber mais:
Genocídio e Ruanda
Holocausto

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2 Responses to “Perseguições étnicas”

  1. é verdade Fátima, parece que a vida humana , está valendo muito pouco. Muito desrespeito, muita maldade, violência, as notícias nos chocam, tenho evitado ver noticiário, fico frustada.Esse post nos faz refletir sobre os caminhos que a humanidade está tomando.


  1. 1 Promotor do Tribunal Penal Internacional pede prisão do presidente do Sudão » Palavras Sussurradas