Preces funcionam?

18mar08

Fam�lia em oração 

Caros leitores:

Todos os dias, logo pela manhã, ao iniciar descer a Avenida perto de casa (sempre apressada), sempre sou abordada por um religioso ou religiosa com a seguinte frase:

“Oi, moça, gostaria de ouvir um pouco da palavra de Deus”

À esta oferta sempre oferto, de forma educada (como mamãe me ensinou 🙂 ) a mesma resposta: “não obrigada”. A dupla (estão eles sempre em dupla! Não descobri ainda o motivo….) sempre responde “tudo bem, orarei por você”.

Hoje levantei ‘com a pá virada’ e, tendo sido abordada, tornei a responder com educação, mas um dos religiosos resolveu segurar-me pelo braço! Pensei: ‘ah, que coisa boa! Além de atrasada, sou abordada por um completo desconhecido que acha que tem o direito de me tocar!’. Olhei bem para o rosto dele com expressão nada amigável: ‘será que o senhor poderia fazer a gentileza de largar meu braço?’. A resposta? Ei-la: ‘não, não posso, a senhora TEM de ouvir a palavra de Deus’. Ah, não dá, né! Paciência tem limite! Nem vou contar o que falei prô cidadão, pois mamãe de vez em quando passa por aqui e me daria uma bronca :). No fim, dita ‘dupla-dinâmica’ respondeu: ‘vamos rezar por você’.

Todavia, fiquei a pensar:
a) Que direito a pessoa tem de rezar por outra que NÃO pediu nem deseja aquelas preces? E se eu fosse hinduísta? Meus deuses poderiam ficar irados comigo se eu rezassem por mim para outro deus, não poderiam? Se eu fosse de uma religião afro-brasileira e falasse para um crente “vou rezar para Ogum pedindo que ele intervenha por você”, será que o crente gostaria?
b) Sendo eu de outra religião, o deus deles (da dupla) DEVE estar furioso comigo, e pode fazer exatamente o contrário do que eles pediram!
c) Considerado a existência de ‘trocentas’ religiões com dezenas (se não milhares) de deuses, pedir a intercessão de um em favor de uma pessoa, hipoteticamente falando, PODE vir a levar sobre esta pessoa a ira de todos os demais deuses, não poderia?
d) E sobre a ‘eficácia’ das preces? Será que algum teísta já pensou nisso? Qual a necessidade de alguém fazer uma prece, se hipoteticamente, Deus já sabe o que você precisa? Imagine a seguinte oração: “Deus….eu preciso….ah, o senhor já sabe! Peço que o senhor intervenha por….ah, o senhor já sabe; agradeço por…ah, o senhor já sabe…..finalmente…..ah, o senhor já sabe. Amém!”

Então, caríssimos leitores, oferto o seguinte texto, extraído do livro ‘Deus, um Delírio”, de Richard Dawkins . Relata ele um experimento cientificamente controlado, tendo como objeto a prece. Bem instrutivo:

O GRANDE EXPERIMENTO DA PRECE

Um estudo de caso divertido, apesar de bastante patético, sobre os milagres é o Grande Experimento da Prece: rezar por pacientes os ajuda a se recuperar? Preces costumam ser oferecidas a pessoas doentes, tanto no ambiente privado como em locais formais de adoração. Francis Galton, primo de Darwin, foi o primeiro a avaliar cientificamente se rezar pelas pessoas é eficaz. Ele lembrou que todo domingo, em igrejas de toda a Grã-Bretanha, congregações inteiras rezavam publicamente pela saúde da família real. A família não deveria então, portanto, ser bem mais saudável se comparada ao resto de nós, que só recebemos preces dos nossos entes mais próximos e queridos?

Galton investigou e não encontrou nenhuma diferença estatística. Sua intenção, em todo o caso, pode ter sido fazer sátira, assim como quando rezou sobre lotes de terra aleatórios para ver se as plantas cresceriam mais rápido (não cresceram). Mais recentemente, o físico Russell Stannard (um dos três cientistas religiosos mais conhecidos da Grã-Bretanha, como veremos) deu seu apoio a uma iniciativa, financiada — é claro — pela Fundação Templeton (lembram-se deles?), para testar experimentalmente a proposição de que rezar por pacientes doentes contribui para sua saúde. Quando minha faculdade de Oxford elegeu o Warden que citei anteriormente, os pesquisadores beberam em público à sua saúde por três noites seguidas. No terceiro desses jantares, ele agradeceu em seu discurso de resposta ao brinde: “Já me sinto melhor”.

Experimentos como esse, se feitos de forma adequada, têm de ser duplos-cegos, e esse padrão foi estritamente observado. Os pacientes foram divididos, de forma estritamente aleatória, em um grupo experimental (que recebeu preces) e um grupo controle (que não recebeu preces). Nem os pacientes, nem os médicos ou enfermeiros, nem os autores do experimento podiam saber quais pacientes estavam recebendo orações e quais eram do grupo controle.

Aqueles que faziam as preces experimentais tinham de saber o nome dos indivíduos por quem estavam rezando — do contrário, como saber se estavam rezando por eles, e não por outras pessoas? Mas tomou-se o cuidado de contar aos que faziam as preces apenas o primeiro nome da pessoa e a primeira letra do sobrenome. Aparentemente, isso seria suficiente para fazer com que Deus escolhesse o leito certo no hospital. A simples idéia de realizar tais experimentos está aberta a uma boa dose de ridículo, e o projeto a recebeu, como o previsto.

Que eu saiba, Bob Newhart não fez um esquete cômico sobre o assunto, mas já posso ouvir sua voz:

“O que foi que disse, Senhor? Que não pode me curar porque faço parte do grupo controle?… Ah, sei, as orações da minha tia não são suficientes. Mas, Senhor, o senhor Evans ali do quarto ao lado… O que foi, Senhor?… O senhor Evans recebeu mil preces por dia? Mas, Senhor, o senhor Evans nem conhece mil pessoas… Ah, elas se referiram a ele só como John E. Mas, Senhor, como o senhor sabia que elas não estavam querendo dizer John Ellsworthy?… Ah, sei, o Senhor usou sua onisciência para descobrir a qual John E. eles queriam se referir. Mas, Senhor…”

Ignorando com valentia todas as piadas, a equipe de pesquisadores foi em frente, gastando 2,4 milhões de dólares da Templeton sob a liderança do dr. Herbert Benson, cardiologista do Mind/Body Medicai Institute, que fica perto de Boston. O dr. Benson havia sido citado antes, num material de divulgação da Templeton, como alguém que “acredita que estão se acumulando as evidências da eficácia das preces intercessórias no cenário médico”. O que garantia, portanto, que a pesquisa estava em boas mãos e que não seria sabotada por vibrações céticas. O dr. Benson e sua equipe monitoraram 1802 pacientes em seis hospitais; todos haviam sido submetidos a cirurgias de ponte de safena e/ou mamaria. Os pacientes foram divididos em três grupos.

O grupo l recebeu preces, mas não sabia disso. O grupo 2 (o grupo controle) não recebeu preces e não sabia disso. O grupo 3 recebeu preces e sabia que estava recebendo. A comparação entre os grupos l e 2 testa a eficácia das preces intercessórias. O grupo 3 testa os possíveis efeitos psicossomáticos de saber que se está sendo alvo de preces.

As preces foram feitas pelas congregações de três igrejas, uma em Minnesota, uma em Massachusetts e uma no Missouri, todas distantes dos três hospitais. Os autores das preces, como já foi explicado, receberam apenas o primeiro nome e a primeira letra do sobrenome de cada paciente por quem deveriam rezar. Faz parte da boa prática experimental padronizar as coisas ao máximo, e a todos eles foi dito, portanto, que incluíssem em suas orações a frase “por uma cirurgia bem-sucedida com uma recuperação rápida, saudável e sem complicações”.

Os resultados, publicados no American Heart Journal de abril de 2006, foram bem definidos. Não houve diferença entre os pacientes que foram alvo de preces e os que não foram. Que surpresa. Houve diferença entre aqueles que sabiam que estavam recebendo preces e aqueles que não sabiam se estavam ou não estavam; mas ela foi para a direção errada. Aqueles que sabiam ser beneficiários de preces sofreram um número significativamente maior de complicações do que aqueles que não sabiam. Estaria Deus contra-atacando, para mostrar sua desaprovação pela estranha empreitada? Parece mais provável que os pacientes que sabiam que estavam sendo alvo de preces tenham sofrido um estresse adicional em conseqüência disso: “ansiedade de desempenho”, nas palavras dos autores da experiência. O dr. Charles Bethea, um dos pesquisadores, disse: “Isso pode tê-los deixado inseguros e se perguntando: Será que estou tão doente que eles tiveram de convocar a equipe de oração?”

Na sociedade litigiosa de hoje, seria querer demais achar que aqueles pacientes que tiveram complicações cardíacas, em conseqüência do fato de saber que estavam recebendo preces experimentais, possam entrar na Justiça com uma ação coletiva contra a Fundação Templeton? Não seria surpresa se esse estudo sofresse a oposição dos teólogos, talvez preocupados com sua capacidade de lançar a religião no ridículo.

O teólogo Richard Swinburne, de Oxford, escrevendo depois do fracasso do estudo, fez objeções a ele afirmando que Deus só atende a preces feitas com bons motivos.

Rezar para uma pessoa, e não para outra, só por causa do que determinaram os dados do experimento duplo-cego não constitui um bom motivo. Deus perceberia. Era exatamente esse o alvo da minha sátira de Bob Newhart, e Swinburne tem razão em alegar a mesma coisa. Mas em outros trechos de seu trabalho o próprio Swinburne supera a sátira. Não pela primeira vez, ele tenta justificar o sofrimento num mundo governado por Deus:

“Meu sofrimento me dá a oportunidade de mostrar coragem e paciência. Ele lhe dá a oportunidade de mostrar solidariedade e de ajudar a aliviar o meu sofrimento. E oferece à sociedade a oportunidade de escolher se deve ou não investir grande quantia de dinheiro para encontrar uma cura para esse ou aquele tipo específico de sofrimento […] Embora um bom Deus lamente nosso sofrimento, sua maior preocupação é certamente que cada um de nós mostre paciência, solidariedade e generosidade e, assim, forme um caráter sagrado. Algumas pessoas precisam muito ficar doentes para o seu próprio bem, e algumas pessoas precisam muito ficar doentes para proporcionar escolhas importantes para outras. Só assim algumas pessoas são encorajadas a fazer escolhas graves sobre o tipo de pessoa que serão. Para outros, a doença não é tão útil”

Esse exemplar grotesco de raciocínio, tão típico da mente teológica, faz-me lembrar de uma ocasião em que eu estava numa discussão pela televisão com Swinburne, e também com nosso colega de Oxford, o professor Peter Atkins. Swinburne, em determinado momento, tentou justificar o Holocausto afirmando que ele deu aos judeus a maravilhosa oportunidade de serem corajosos e nobres. Peter Atkins rosnou, esplêndido: “Que você apodreça no inferno”.

Outro exemplar típico do raciocínio teológico surge mais além no artigo de Swinburne. Com razão, ele sugere que se Deus quisesse demonstrar sua própria existência ele encontraria métodos melhores de fazê-lo do que não alterar ligeiramente as estatísticas da recuperação do grupo experimental versus o grupo controle de pacientes cardíacos. Se Deus existisse e quisesse nos convencer disso, ele poderia “encher o mundo de supermilagres”. Mas então Swinburne solta sua pérola: “Já há muitas evidências, de qualquer maneira, da existência de Deus, e evidência demais pode não ser bom para nós”. Evidência demais pode não ser bom para nós! Leia de novo. Evidência demais pode não ser bom para nós. Richard Swinburne é o detentor, recentemente aposentado, de um dos mais respeitados cargos de professor de teologia, e pertence à Academia Britânica. Se você quer um teólogo, eles não vêm com muito mais distinções que isso. Talvez você não queira um teólogo.

Swinburne não foi o único teólogo a desmerecer o estudo depois de seu fracasso. O reverendo Raymond J. Lawrence recebeu um espaço generoso da página de artigos do The New York Times para explicar por que líderes religiosos responsáveis “vão respirar aliviados” porque não foi encontrada nenhuma prova de que as preces intercessórias surtem algum efeito.Teria ele adotado um tom diferente se o estudo de Benson tivesse sido bem sucedido e demonstrasse o poder da prece? Talvez não, mas você pode ter certeza de que muitos outros pastores e teólogos teriam. O artigo do reverendo Lawrence é memorável sobretudo pela seguinte revelação:

“Recentemente, um colega me contou sobre uma mulher devotada e instruída que acusou um médico de má conduta no tratamento de seu marido. Nos dias em que o marido estava morrendo, ela denunciou, o médico não havia rezado por ele”.

Outros teólogos uniram-se aos céticos inspirados no MNI defendendo que estudar a prece dessa forma era um desperdício de dinheiro, porque as influências sobrenaturais estão por definição fora do alcance da ciência. Mas, como reconheceu cor-retamente a Fundação Templeton quando financiou o estudo, o suposto poder de intercessão da oração está, pelo menos em princípio, dentro do alcance da ciência. Um experimento duplo-cego pode ser feito e foi feito. Ele poderia ter produzido um resultado positivo. E, se tivesse, você consegue imaginar que um único apologista da religião o teria desmerecido, alegando que a pesquisa científica não tem valor em questões religiosas? É claro que não. Nem é preciso dizer que os resultados negativos do experimento não vão abalar os fiéis. Bob Barth, diretor espiritual do ministério de oração do Missouri que forneceu parte das preces experimentais, disse:

“Uma pessoa de fé diria que esse estudo é interessante, mas rezamos há muito tempo e já vimos a prece funcionar, sabemos que ela funciona, e as pesquisas sobre a oração e a espiritualidade estão apenas começando”.

É isso aí: sabemos a partir de nossa fé que a oração funciona, então, se as evidências não conseguirem mostrar isso, vamos continuar trabalhando até que finalmente obtenhamos o resultado que queremos.

Comentário:

E então? Ao invés de remédios, da próxima vez que um parente seu ficar doente, ofereça SÓ preces!

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14 Responses to “Preces funcionam?”

  1. Que maravilha encontrar gente inteligente que tem tranquila liberdade de expor seu ponto de vista de forma tao interessante!
    Parabens a vc, Fatima, pelas consideracoes lucidas e bem embasadas.
    Acredito em Deus, e realmente nao acho que Ele faz distincao entre esse ou aquele, por conta de acreditar nEle ou nao. Ha realidades na Terra que nao tem nada a ver com Deus. A historia – individual ou coletiva – e construida pelas maos dos homens.
    Aqui em NY, ha uma semana, um aviao caiu no rio Hudson e 150 pessoas se salvaram. Chamaram o episodio de “Milagre do Rio Hudson”. Achei poetico. Falaram das maos de Deus salvando o aeroplano com seus passageiros e tripulantes. Achei metaforicamente interessante. But…
    Sera que nao havia a bondade divina observando todos os putros acidentes que, ao contrario, tiveram final tragico?
    As explicacoes para coisas como essas nao podem se dar de uma forma tao simplista. Nem tampouco baseada nessa coisa de “assim foi porque Deus quis e a resposta e misterio que reside na mistica da fe”.
    Retornando ao tema da religiosidade em si, mais importante que ser uma pessoa religiosa, e’ ser uma pessoa boa (e aqui considero boa a pessoa que respeita os direitos do proximo, que ama, que trabalha, que tem valores nobres, como etica por exemplo).
    Vai existir a “pessoa boa” que nao tem religiao alguma. Bem como existirao pessoas religiosas que nao sao boas.
    Abraco o pensamento espirita e percebo que o mais importante na vida e’ aprender, crescer, mudar pra melhor (levando em conta que ate o “melhor” e’ algo relativo :-)).
    Penso que a prece favorece muito mais por permitir um equilibrio, uma harmonia maior, e isso garante condicoes neurais para o contato com os recursos interiores que todos temos. Promove maior sensacao de protecao, amparo, esperanca. Espiritualmente falando – e nao ha qualquer prova cientifica do que digo – creio que alguem que se sente melhor, em paz, encontra-se com a mente e as emocoes melhor administradas, e isso atrai vibracoes e energias semelhantes.
    Como diz dr. Carl Simonton quando fala acerca das visualizacoes curativas em seu instituto, que promovem curas em boa parte dos seus pacientes: “Se ate mesmo na ciencia nao podemos falar em certezas, nada ha de errado em se ter esperanca.”
    E sobre aquela situacao da dupla lhe dizendo “vou rezar por vc”, penso que pode se tratar de uma certa demonstracao de arrogancia. Como se quisessem se colocar em patamar superior ja que eles – pretensamente poderosos e conectados com o divino – estariam orando por vc – pobre coitada que estaria com a alma perdida por nao querer ouvir a sagrada escritura”.
    Talvez a maior licao que Jesus nos deixou tenha sido a da humildade, coisa que uma parte dos religiosos nao tem.
    Estou aberto a possibilidade de estar equivocado. Mas, por me conhecer, sei que a prece me faz bem, e crer em Deus tb.
    Como nao sou cientista, e nem me arvoraria agora nessa empreitada de provar a existencia de Deus, levo minha vida aberto a ser apenas feliz e contribuir com a felicidade de outros da forma como posso. E isso ja e’ uma super tarefa!
    Querida, mais uma vez, parabens.
    E continue puxando o braco e seguindo seu caminho quando vierem a impotuna-la dessa forma em nome de Deus.
    Realmente nao acho que Ele deu procuracao a ninguem para que se torne um chato em Seu nome.
    Beijo no seu coracao!

  2. Rezando pra você não existir e não ter perguntado aquilo. =D

    Quanto ao texto, parabéns Fátima, está maravilhoso como sempre. Rezar é mesmo um ato muito contraditório; afinal, se Deus já sabe o que vai acontecer, por que alguém acreditaria que ele mudaria sua opinião (o que faz dele imperfeito)??

  3. Cadê a crente?

  4. Sonia, por que vc ignorou a minha pergunta? Isso é falta de educação, mas eu acho que vc não seria capaz disso, certo?

    Assim, eu a posto de novo:

    André, em março 20th, 2008 às 1:30 am Diz:

    Ô, Sônia, me diz uma coisinha.

    Por que seu deus gosta mais de você do que os famintos da África ou as milhares de pessoas internadas nos hospitais brasileiros?

    Lembrando que muitos deles são tão ou mais religiosos do que vc.

    No aguardo.

  5. Fátima, já te admiro, és sincera e isso é bom, agradável e louvável.Achei-a muito inteligente, com um texto limpo, claro e muito bom.Foi bom te conhecer, estou aprendendo ainda, têm muitas coisas que não sei. Beijos para vc!!! Obrigada pela forma carinhosa, como defendeu seus pensamentos. Vc é muito educada. Parabéns!!!!!!

  6. Sonia :

    Olá!

    Permita-me contra-argumentar:

    ‘…muitas pessoas usam o Nome de deus e Ele está bem distante delas, usam apenas para se ‘safarem’ de alguma situação, ou crítica, como é o caso do Bush e tantos outros por aí

    Sonia, amiga…recomendo que assista ao vídeo Zeitgeist e verás que um ‘mito’ pode ser poderoso instrumento de manipulação.

    A maioria o usa para arrancar dinheiro dos pobres crédulos, outros usam para aterrorizar, outros para justificar seus atos ignóbeis. O certo é que muitos usam e os que crêem são usados.

    “…Eu não estou querendo impor meu pensamento a ninguém, apenas dei uma opinião da minha vivência…”

    Espero que minhas palavras não tenham feito com que vc pensasse que eu imaginasse que sua postagem era uma tentativa de ‘imposição’.

    “…Fiquei curada do mioma, comprovadamente pelos médicos, pois iria operar e já tinha todos os exames prontos…”

    Não tenho como comprovar o que vc afirmou, mas sua ‘aparente’ cura não implica que esta ‘cura’ tenha ocorrido por um ato divino. Se assim fosse, o que justificaria a SUA cura em detrimento de outras pessoas? Acaso Deus faria acepção entre as pessoas?

    “Deus é o mesmo, ele não muda…”

    Aqui tenho de DISCORDAR de vc de forma veemente, pois da análise do AT e do NT, percebe-se CLARAMENTE uma mudança drástica: o deus tribal/vingativo virou um deus de amor (apesar que até isso é questionável)

    “…Mas precisa crer!!! Se creres verás a Glória de Deus!!!!

    Pq Deus precisa que eu creia nele para atuar? Aliás, pq Deus precisa tanto que os homens (inferiores hierarquicamente a ele) creiam n’Ele ?

    “…teem dificuldades para aceitar as coisas espirituais, pois elas se discernem espiritualmente …”

    Sim, eu tenho dificuldade em entender pq tenho de ‘discernir’ algo ‘espiritualmente’. Pq tenho de abdicar de minha razão, dando um passo no escuro para entender o ‘propósito de Deus’.

    Acompanhe o meu raciocínio: se eu quero passar uma mensagem a alguém, não procurarei escrever a mensagem de modo que seja inteligível para o destinatário? Se eu escrever para uma criança, não procurarei uma linguagem que seja a ela acessível? Então pq Deus escreve de forma ininteligível para o homem comum?

    “…Não quero discutir doutrinas religiosas com vc, cada um é livre para crer e adorar do seu jeito…”

    Nem tampouco desejo eu que vc abdique de sua fé. Para mim a fé tem de se auto-sustentar, não usar como ‘muletas’ um texto grosseiro, ininteligível, cheio de erros e contradições, com relatos cruéis e desumanos.

    Se vc deseja permanecer com sua fé, não vejo problema algum, minha querida (não é ironia). Não serei eu quem a criticarei.

    Mas, no que se refere ao objeto da postagem (preces funcionam), não consegui enxergar nenhum contra-argumento de tua parte.

    O experimento científico foi feito, comprovou-se a ineficácia das preces. E aí, como fica?

    “…Para isso Deus deu o livre arbítrio, para cada um escolher do seu modo…”

    Até esta questão do ‘livre arbítrio’ é absolutamente contestável: ONDE foi parar o de Jonas??????

    Obrigada pela visita, virei aqui outras vezes. Achei os assuntos nota dez!!!!

    Quem agradece sou eu, moça.
    Até o presente momento, apresentastes tuas questões de forma equilibrada, racional e educada (não ameaçou ninguém com o ‘inferno’, não xingou ninguém, como já fizeram alguns ‘visitantes’ em outras ocasiões). Sei reconhecer isso e agradeço.

    Quanto aos elogios, realmente agradeço: não passo de aprendiz. 🙂

    Por fim, agradeço sua visita e comentários.

    Grande abraço!

    🙂

  7. Ô, Sônia, me diz uma coisinha.

    Por que seu deus gosta mais de você do que os famintos da África ou as milhares de pessoas internadas nos hospitais brasileiros?

    Lembrando que muitos deles são tão ou mais religiosos do que vc.

  8. Fátima, respeito sua posição e suas colocações.Muitas pessoas usam o Nome de deus e Ele está bem distante delas, usam apenas para se “safarem” de alguma situação, ou crítica, como é o caso do Bush e tantos outros por aí.Eu não estou querendo impor meu pensamento á ninguém, apenas dei uma opinião da minha vivência.Fiquei curada de mioma, comprovadamente pelos médicos, pois iria operar e já tinha todos os exames prontos. Deus é o mesmo, Ele não muda, operou no passado e opera hoje!!! Mas precisa crer!!!! Se creres verás a Glória de Deus!!!! Eu falo de cadeira, pq vivo, essas experiências, não falo de experiências alheias, falo de mim. Infelizmente muita gente que se diz “crente” dá um péssimo testemunho, e aí acontece isso, escandalizam vcs, que já não crêem, têem dificuldades para aceitar as coisas espirituais, pois elas se discernem espiritualmente. A pessoa carnal, baseada em filosofias, psicologias não entendem as coisas de Deus, acham LOUCURA!!!!!! A Bíblia, que é a Palavra de Deus, diz que: ” A fé vem pelo ouvir, e ouvir a Palavra de Deus” Mas não quero discutir doutrinas religiosas com vc, cada um é livre para crer e adorar do seu jeito. Para isso Deus deu o livre arbítreo, para cada um escolher do seu modo. Obrigada pela visita, virei aqui outras vezes. Achei os assuntos nota dez!!!!

  9. Sonia:

    Seja bem-vinda:

    1) Experiência pessoal -Você afirma que foi curada, sem, no entanto, apresentar quaisquer provas científicas do milagroso feito. Sendo insuficientes os elementos para a comprovação deste fato, reservo-me no direito de dizer simplesmente ‘não há comprovação do que vc afirma’. Abstenho-me de emitir qualquer juízo sobre sua ‘cura’, só digo ‘não foi ela comprovada’. Considerando que a alegação foi sua, o ônus da prova é seu.

    Todavia, oferto um texto do mesmo autor (Dawkins) para reflexão. Está ele no mesmo livro citado nesta postagem, sob o título ‘ARGUMENTO DA EXPERIÊNCIA PESSOAL’:

    “Um dos meus colegas de faculdade mais maduros e mais inteligentes, que era profundamente religioso, foi acampar nas ilhas escocesas. No meio da noite ele e a namorada foram despertados em sua barraca pela voz do diabo — Satã em pessoa; não havia dúvida possível: a voz era diabólica em todos os sentidos. Meu amigo jamais esqueceria aquela experiência terrível, e ela foi um dos fatores que mais tarde o levaram a ser ordenado. Jovem, fiquei impressionado com sua história, e a contei numa reunião de zoólogos que descansavam no Rose and Crown Inn, em Oxford. Dois deles, por acaso, eram ornitólogos experientes, e caíram na gargalhada. “Pardela-sombria!”, gritaram
    em coro, rindo. Um deles acrescentou que os gritos e cacarejes da espécie garan-tiram a ela, em várias partes do mundo e em várias línguas, o apelido local de “pássaro do diabo”. Muita gente acredita em Deus porque acredita ter tido uma visão dele — ou de um anjo ou de uma virgem de azul — com seus próprios olhos. Ou que ele fala com eles dentro de sua cabeça.
    Esse argumento da experiência pessoal é o mais convincente para aqueles que afirmam ter passado por uma. Mas é o menos convincente para todo o resto, e para qualquer pessoa que conheça psicologia. Você diz que sentiu Deus diretamente? Bem, tem gente que sentiu um elefante cor-de-rosa, mas isso provavelmente não vai impressioná-lo. Peter Sutcliffe, o Estripador de Yorkshire, ouvia distintamente a voz de Jesus dizendo-lhe para matar mulheres, e foi condenado à prisão perpétua. George W. Bush afirma que Deus disse a ele que invadisse o Iraque (é uma pena que Deus não tenha lhe concedido a revelação de que não havia armas de destruição em massa). Pacientes de sanatórios acham que são Napoleão ou Charlie Chaplin, ou que o mundo inteiro conspira contra eles, ou que podem transmitir seus pensamentos para a cabeça de outras pessoas. Divertimo-nos com elas, mas não levamos a sério suas crenças internamente reveladas, principalmente porque pouca gente tem as mesmas crenças. As experiências religiosas só são diferentes no fato de que as pessoas que alegam tê-las tido são muito numerosas. Sam Harris não estava sendo cínico em excesso quando escreveu, em The end of faith [Fim da fé]:

    “Temos nomes para as pessoas que têm muitas crenças para as quais não há justificativa racional. Quando suas crenças são extremamente comuns, nós as chamamos de “religiosas”; nos outros casos, elas provavelmente serão chamadas de “loucas”, “psicóticas” ou “delirantes” […] Claramente, a sanidade está nos números. E, mesmo assim, é apenas um acidente da história o fato de ser considerado normal em nossa sociedade acreditar que o Criador do universo é capaz de ouvir nossos pensamentos, enquanto é uma demonstração de doença mental acreditar que ele está se comunicando com você fazendo a chuva bater em código Morse na janela de seu quarto. Assim, se as pessoas religiosas não são generaliza-damente loucas, suas principais crenças absolutamente o são”

    .

    2) Relativamente ao presente espaço:

    Obrigada pelos elogios, também apreciei o seu (especialmente das flores e da cor – adoro rosa 🙂 ).

    Por fim, respeito a fé dos outros, minha cara; reconheço em você o direito a crer no que bem quiser. O que aborrece, no entanto, é a péssima mania de muitos teístas de quererem impingir seus dogmas à força a todos os outros membros do grupo social.

    Grande Abraço e obrigada pela visita e comentários!

    😉

  10. Querida,
    Temos os médicos que estão aí para fazerem a parte deles. Mas quando estes não funcionam, oração, clamor à Deus, pedido de ajuda, ao ùnico que pode nos atender.Eu mesma já fui curada de várias coisa, a fé remove montanhas.A fé verdadeira, sem barganhas.

  11. Gostei muito do seu Espaço.Achei-o de um bom humor fora de série.Os assuntos são interessantes e nos prendem a atenção.Virei aqui outras vezes.Visite meu Blog, deixei uma homenagem a todos que fazem acontecer na internet.Parabéns!!!!!

  12. Todos os crentes têm fé. Mas, na primeira dor de cabeça, correm pra farmácia (nessa hora, esquecem dos “males” da Ciência, como a bomba atômica) bem como pro médico.

    Depois, vêm, com aquela bobagem “Deus me curou”. Engraçado que muitos religiosos NÃO SÃO curados (vejam os hospitais da Santa Casa ou essas “clínicas espirituais”). Sempre os mesmos estão lá, dia a dia.

    Deveriam ir para as igrejas. Assim, a fila nos hospitais diminuiria.

    Se bem que, por mim, eu os mandaria para outro lugar…


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