Migrantes sofrem abusos em obras olímpicas de Pequim

12mar08

A escravidão ainda é uma realidade 

Pensa você que a escravidão é mal que foi extirpado da face da Terra? Ledo engano, tanto no Brasil quanto no resto do mundo ainda vemos homens reduzidos à condição análoga à de escravos.

Este é o caso, por exemplo, de milhares de migrantes que trabalham nas obras para a Olimpíada de Pequim: sofrem eles explorações rotineiras e carecem de proteção, benefícios e direito a greve, conforme deduziu a organização não-governamental nova-iorquina Human Rights Watch, em seu relatório oficial.

O texto diz que os operários trabalham em condições perigosas, não têm acesso a atendimento médico e muitas vezes nem salário recebem. Sophie Richardson, diretora de ativismo do grupo, disse que:

“Apesar de anos de retórica governamental, os empregadores ainda enganam os operários da construção em seus suados salários e quando se trata de serviços sociais básicos, o governo ainda discrimina contra os migrantes”

Pequim é atualmente um mar de guindastes, em meio às obras de instalações esportivas, vilas olímpicas e reformas de bairros inteiros. Há mais de 1 milhão de operários da construção na cidade, e a maioria dorme em acampamentos precários nas próprias obras, onde são vulneráveis a acidentes de trabalho e exploração dos patrões.

O vice-prefeito Ji Lin disse que a cidade “dedicou grande preocupação” às condições dos operários. “Se qualquer abuso for descoberto durante este processo, vamos tomar as medidas apropriadas segundo a lei”, afirmou Ji em entrevista coletiva.

Mas a Human Rights Watch diz que há uma discriminação institucionalizada devido ao sistema “hukou”, relativo ao registro de moradia de cada cidadão. Esse sistema serve para controlar o êxodo rural, mas acaba fazendo com que muitos migrantes se instalem irregularmente nas cidades, sem acesso a benefícios sociais.

Acabar com esse sistema, segundo o relatório, “facilitaria que os empregados prestassem queixas e que as autoridades punissem empregadores que violam as leis trabalhistas”.

O ministro do Trabalho, Tian Chengping, disse recentemente a jornalistas que os migrantes deveriam receber as mesmas proteções destinadas a moradores de cidades, mas indicou que não há planos imediatos para abandonar o sistema “hukou”, adotado há décadas.

Fonte: Redação Terra

Para saber mais:

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O Trabalho escravo na China
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