Qual tua escolha?

05mar08

 Que mexeu no meu queijo

1) Introdução:

O presente nasceu de uma palestra que mantinha com um amigo. Analisávamos a morte de uma comunidade do orkut e do desespero demonstrado pelo seu proprietário. Lembrando-me do livro “Quem Mexeu no meu queijo”, mencionei que dito proprietário, se tivesse lido o livro, teria identificado os sinais que indicavam a iminente morte de dita comunidade e poderia ter tomado providências no sentido de impedi-la.

Meu amigo não havia lido o livro, motivo pelo qual lhe forneci um resumo sumário. Após meu resumo, meu amigo, contrariando a idéia original que o autor do livro deixava passar, mencionou que dito livro, a bem da verdade, passava, no final, uma ‘moral’ perniciosa, pois havia uma certa incitação ao egoísmo, usando as palavras dele, o livro ensinava que:

“…enquanto o mundo (seja ele qual for: local de trabalho, família, sociedade) estiver te propiciando o que você deseja, você nele permanece; quando não estiver mais atendendo a seus desejos de prazer, você deve abandoná-lo…”

Bom, esta idéia não era a que estava em minha mente, pois lendo o livro, tinha assimilado e adotado como relativamente bons os ensinamentos lá contidos.

E, em nível ‘micro’, quando você considera apenas situações ‘focadas’, o texto realmente fornece ao leitor ferramentas para buscar e encontrar uma situação que lhe seja mais conveniente. Mas em nível ‘macro’, seria esta a conduta ‘moralmente’ aceitável.

Como costumo dizer, não tomo nenhuma posição sem antes ‘dormir com o assunto’, que em outras palavras significa fazer uma nova leitura do texto, meditar sobre ele e buscar as respostas às questões suscitadas.

Em outra conversa mantida com duas tias minhas (Nenê e Nicinha), onde o tema era a busca pela felicidade, ambas disseram, num uníssono:

“…ninguém tem ‘direito’ à felicidade se esta felicidade implicar em dor e sofrimento para outras pessoas…”

Novamente meditei sobre a frase e imediatamente relacionei-a com o livro e a palestra que mantive com meu amigo. Também lembrei-me de um filme intitulado ‘Gilbert Grape, aprendiz de sonhador’, estrelado por Johnny Deep e Leonardo di Caprio.

Abaixo apresentarei as sinopses de ambos (do livro e do filme) e após ingressarei no resultado de minhas meditações.

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17 Responses to “Qual tua escolha?”

  1. Maravilhoso post. Muito rico em conceitos e muito bem articulado. Apreciei também a leitura dos comentários em especial ao Reverendo, pois concordo em vários pontos de sua explanação sobre o tema, principalmente sobre o Individualismo. O mundo precisa sim de uma revisão de valores, tanto no contexto macro-social como no micro. Podemos ver isto em pequenos grupos sociais, como uma sala de aula, onde é preciso dialogar com as individualidades e perceber, ou melhor, ter um feedback sobre o pensamento de cada aluno para a ministração da aula. Com relação a sociedade, a evolução humana está de acordo com a evolução do individulismo, não como opção de agir, no campo da práxis, mas no campo do reconhecimento do outro. Diminuir as diferenças é reconhecer diferenças. O sentido maior da globalização, que infelizmente foi banalizado nos dias de hoje, seria o maior ideal para uma possivel evolução igualitária da sociedade. Gostaria apenas Fátima que você colocasse melhor sua conclusão no post.

    “Bom, amigos, eu sei quais seriam minhas escolhas. Quais seriam as tuas?”

    Então, quais seriam as tuas escolhas?
    Gostaria de levar em consideração também que a mudança, no caso do livro, não precisa ser tão radical.
    Não é preciso separar da familia só porque o homem ficou desempregado.
    Como se diz: Para acabar com as pulgas eu mato o cachorro.
    No caso da mensangem do livro, é mudar de acordo com o ambiente, perceber o mundo a sua volta, as mudanças, ter o feedback, e mudar com o mundo.
    O mundo já sofreu muito com dogmatismos! Chega!
    Ver o novo mundo é uma obrigação dos homens do séc.XXI

    Amei seu blog.
    Obrigado pelo seu comentário no meu.
    Um forte abraço muito cordial querida Fátima.

  2. Maravilhoso post. Muito rico em conceitos e muito bem articulado. Apreciei também a leitura dos comentários em especial ao Reverendo, pois concordo em vários pontos de sua explanação sobre o tema, principalmente sobre o Individualismo. O mundo precisa sim de uma revisão de valores, tanto no contexto macro-social como no micro. Podemos ver isto em pequenos grupos sociais, como uma sala de aula, onde é preciso dialogar com as individualidades e perceber, ou melhor, ter um feedback sobre o pensamento de cada aluno para a ministração da aula. Com relação a sociedade, a evolução humana está de acordo com a evolução do individulismo, não como opção de agir, no campo da práxis, mas no campo do reconhecimento do outro. Diminuir as diferenças é reconhecer diferenças. O sentido maior da globalização, que infelizmente foi banalizado nos dias de hoje, seria o maior ideal para uma possivel evolução igualitária da sociedade. Gostaria apenas Fátima que você colocasse melhor sua conclusão no post.

    “Bom, amigos, eu sei quais seriam minhas escolhas. Quais seriam as tuas?”

    Então, quais seriam as tuas escolhas?
    Gostaria de levar em consideração também que a mudança, no caso do livro, não precisa ser tão radical.
    Não é preciso separar da familia só porque o homem ficou desempregado.
    Como se diz: Para acabar com as pulgas eu mato o cachorro.
    No caso da mensangem do livro, é mudar de acordo com o ambiente, perceber o mundo a sua volta, as mudanças, ter o feedback, e mudar com o mundo.
    O mundo já sofreu muito com dogmatismos! Chega!
    Ver o novo mundo é uma obrigação dos homens do séc.XXI

    Amei seu blog.
    Obrigado pelo seu comentário no meu.
    Um forte abraço muito cordial querida Fátima.

  3. Não li todas as opiniões, porque este excelente post e mais os honoráveis amigos que o comentaram merecem que eu leia tudinho atentamente. Como ando meio sem tempo, passei rápido para deixar só um recadinho: filantropias e altruísmos são de fato invejáveis virtudes, mas eu duvido se não escolhemos o nosso bem estar antes de mais nada. Abandonar o barco em detrimento do resto da tripulação não soa bem, só que também não há como ser feliz pelo outro ou infeliz por estar ao lado dele. Eu concordo com a Fátima, o livrinho repassa uma situação micro, mas cabe a nós elevarmos o pensamento e adaptarmos as coisas de modo que ninguém fique infeliz, se possível. Porém, se faltarem certas oportunidades de comunhão, não tem jeito, a farinha sendo pouca, meu pirão primeiro, já dizia vovó. Mas pode-se dividir conhecimento, amizade e simpatia. Desde que estejamos bem conosco. Antes de mais nada, bem conosco.

    ps – André, essa frase não é de Voltaire? Explica, divida seu queijo 🙂

    Parabéns, doutora! Seu raciocínio é dos bons.
    Beijo!!

  4. Peterson. Por favor, releia o que escrevi, porque vc não respondeu nada que tenha a ver com o que postei.

    Existe corvo vermelho?

  5. Ah, e já ia me esquecendo:

    Indivíduos sozinhos teriam menor capacidade de sobreviência. Indivíduos que partilham experiências entre si, agregam valores uniformes e juntam-se para viver e dominar o ambiente onde vivem.

    Para a resposta a este parágrafo, leia aquele que eu disse que ia apontar, André 😉

  6. Wow, grandes respostas, amigos! Me senti até alegre de ver a tarefa que tenho pela frente. Let’s Go! =D

    ” “Para conhecer-te a ti mesmo, conheça a história”

    Se é pra citar, eu coloco aqui Hegel e Kant (este em termos diferentes, mas com sentido idêntico), respectivamente:

    “A história nos ensina que a história não nos ensina nada”

    “A experiência pode te dizer como algo é, mas não que não possa ser diferente”.

    Entendo a base filosófica deste teu modo de pensar, penso (corrija-me se estiver errada), que é baseada na ‘genealogia da moral’, da qual extraio um dos pontos principais:

    Sim, creio que concordo bastante com a frase do meu bigodudo predileto. Mas depois eu vou tentar explicar melhor o que eu disse…

    pois o direito é a ‘ciência’ do ‘dever ser’

    Nessa eu vou ter que discordar totalmente. Jamais se chegará a entendimento algum sobre o que deve ser. Sabe por que? Porque tudo é verdadeiro, falso, irrelevante, verdadeiro e falso, verdadeiro e irrelevante, falso e irrelevante, e verdadeiro, falso e irrelevante em algum sentido.

    Leia o Princípia Discórdia ou consulte sua glândula pineal para mais informações =D

    Relativamente à liberdade, é ela pressuposto para a ‘ação moral’, pois a ação só pode ser considerada ‘moral’ se o indivíduo puder ESCOLHER agir de outro modo.

    É exatamente aí que eu quero chegar, pelo menos um dos lugares aonde quero chegar.

    Na sociedade atual, ela é tão interdependente, em termos de tudo, cultura, política, moralidade, ética, que ela não permite que os indivíduos se destaquem. Uma vez eu disse pro meu irmão o seguinte: [um dos motivos pelos quais] não gosto do capitalismo porque ele é um sistema interdependente: os ricos precisam dos pobres, os pobres precisam dos ricos, logo a miséria JAMAIS deixará de existir no capitalismo.

    Da mesma forma, toda nossa sociedade está fundamentada em idéias de “certo” e “errado” – então às vezes fazemos coisas porque essas são “certas” ou “erradas”, mas não consideramos as vontades das pessoas, e é só ler o bigodudo supracitado pra entender que moralidade é uma ficção. Há tantos e tantos exemplos. As pessoas que não aceitam os homossexuais: muitas não o fazem porque consideram aquilo “errado” — isso é o que chamo de idealismo, elas moldam suas ações por um ideal. Ao invés disso, deveriam pensar que aquele indivíduo tem liberdade pra agir como bem entender, pra ser feliz do modo como achar que será, entendem? Esse é só um exemplo simples, mas nossa sociedade e nosso cotidiano está infestado desse tipo de idealismo.

    Por isso quando digo que temos que considerar o indivíduo, digo que temos que dar a oportunidade pra que ele não precise ser obrigado a fazer algo porque “o grupo” quer, ou que ele se preocupe mais com “as pessoas”, isoladamente – ele, o pai dele, o primo, o amigo, etc – do que com a sociedade em geral, entende? Respeitando as individualidades de cada um, etc. Pensando individualmente.

    E quando digo que a sociedade deveria ser individualista, digo que ela deveria estimular justamente esse pensamento independente. Um pensamento de liberdade – a pessoa não PRECISA ser individualista, mas se ela tiver contato com essa filosofia de liberdade, ela pode ser o que ela quiser, mas não obrigar os outros a serem também, como acontece com nossos colegas religiosos, não é, André? 😉

    “Concordo sim, mas, vivendo isoladamente, o que impediria que se instalasse o DIREITO DO MAIS FORTE?”

    Simples: OS MAIS FRACOS.

    Há um anarquista chamado Mikhail Bakunin. Um homem de discurso – foi dele a frase que diz que um homem precisa ter o diabo no corpo pra insuflar outros homens – bem, ele tinha. Se HItler foi o melhor orador do século XX, bem, ele foi o melhor do XIX. Grande revolucionário, não podia ver pólvora que já se enfiava numa trincheira, mesmo que fosse gordo pra caramba… Mas enfim. É dele a seguinte frase: “A liberdade do outro eleva a minha ao infinito” – ou algo assim, não me lembro dos termos exatos.

    Entende o que quero dizer? Eu moro numa casa. Um espertinho acha que pode simplesmente, sei lá, roubar a minha televisão. Ora, eu posso simplesmente dar-lhe um soco no nariz e jogá-lo pra fora de minha casa. Não estou, de modo algum, dizendo que você é uma pessoa de pensamentos fáceis e inverificados – pelo contrário, conheço bem seu ceticismo, mas devo dizer que é comum cair no erro de não pensar no que você e outras milhares de pessoas já pensaram: Na fragilidade de um sistema sem leis, onde os por algum motivo “fortes” dominam os fracos. Ora, mas quem SE FEZ fraco? Quem aceitou a dominação. Não há motivo algum para que uma pessoa simplesmente aceite passiva a dominação. Eu sei, eu sei, você pode dizer “mas se eles portarem armas, como um indivíduo lutará contra um indivíduo de armas???”.

    Bom, aí é que entra a parte misunderstood do individualismo. Veja bem, eu não falei que as pessoas precisavam se afastar uma da outra pra viverem individualmente, pelo contrário. É apenas um foco diferente de olhar “as pessoas” – considerando-a uma por uma, e respeitando suas vontades*. Há um outro anarquista chamado Hakim Bey – um cara importantíssimo para a história do anarquismo, um verdadeiro divisor de águas. De qualquer forma, ele cunhou a expressão “TAZ” – Zona Autônoma Temporária. As pessoas se reúnem por um tempo para conseguirem um interesse em comum, e depois que ele é alcançado, o grupo se desfaz. Uma coisa meio dinâmica.

    Lembre-se bem destes dois últimos parágrafos, André. Creio que eles respondem bem alguma coisa no seu post que eu apontarei mais tarde 😉

    Mas, você ainda poderia argumentar que, depois que o strago já tá feito e os fortes dominam os fracos, os fracos não teriam chance sequer de formar uma TAZ pra combatë-los. Bem, é verdade. Mas a organização dessa sociedade individualista seria estruturada justamente pra isso: não permitir que haja esse desequilíbrio de poder, entende?

    Se ainda ficou meio nebuloso, é só responder “fala mais daquilo”, que eu vou entender haehaeheahea =D ou pra perder o duplo sentido, diga “explique-me a parte nebulosa do seu post”, hehehe.

    Concordando ou não, adoro dialogar.

    No doubt I do either, baby! =D

    Agora, André, it’s your turn (muahaha…)

    Vc não é reducionista a ponto de dizer que tem, o QI de uma única célula, é?

    Com certeza não, mas qual é o objetivo de um indivíduo? Propagar seus genes – isso se você não considerar Susan Black e os memes, é claro – e qual é o objetivo de uma célula? Trabalhar para que o corpo como um todo consiga atingir seu objetivo.

    Eu apenas parto do pressuposto de que se os indivíduos agem da mesma forma como uma célula age em nosso organismo – e se você não admitir que disse que agem, foi uma falsa analogia, hã? – os indivíduos trabalham em conjunto para que a sociedade consiga cumprir seu objetivo, correto? Mas da mesma forma como uma célula pode se tornar cancerígena e (usando um termo bem idiota) “fazer o que quiser”, ignorando o corpo, um indivíduo também pode abandonar a colaboração “servil” para com a sociedade, que na verdade favorece não a todos mas a quem se beneficia com o triunfo da sociedade, e pode fazer o que quiser. É uma atitude errada? Ele deveria fazer como a célula faz? Talvez. Mas a diferença fundamental entre a célula e o indivíduo é que este sente uma coisa chamada felicidade, entre outros sentimentos como amor, ódio, alegria, tristeza, etc – ou “está sob efeito das -inas do cérebro”, como queira – e, além disso, é o denominador comum da consciência. Uma célula faz parte do todo tanto quanto o indivíduo faz parte do todo, mas nós temos uma autoconsciência que faz do nosso corpo, da nossa mente, “unidade” básica da nossa existência, mais ou menos como o gene é a unidade básica da evolução.

    Em outras palavras, morreremos, André. Isso não é motivo pra sermos egoístas, fumarmos crack até morrermos de overdose ou assaltar um banco todo dia achando que esse pode ser o último. Mas com certeza é motivo pra pararmos de agir apenas como peças de uma sociedade para cuidar um pouco mais da felicidade dos indivíduos – isso implicando também em não tratar o outro como peça de um plano para satisfação própria ou da sociedade.

    Por fim, sociedades existem, mas não como um corpo, não como algo sólido que sente, que pensa, que age com uma consciência, que age em liberdade. Como eu disse, existe tanto quanto a minha jaqueta no armário. Eu a visto se quiser. Se a sociedade atual influencia ou manipula a todos é porque existem pessoas poderosas, com dinheiro, com boas imagens ou com bons contatos (ou com boas ARMAS) que vestem a jaqueta do poder e assim influenciam todo o resto. Ou seja, claro que sociedades existem. Mas não tanto quanto eu, você e Fátima.

    Até mais amigos ;D

    * E quando elas vão contra as próprias vontades? Que vença o melhor, que se tenha espírito esportivo, que se encontre um meio-termo, tire no par ou ímpar, whatever. That’s freedom, baby. Se quer o que eu tenho, eu não vou te dar, mas posso negociar. Esse é o único jeito de conseguir o que eu tenho sem impor a força. Essa frase foi de um conhecido anarquista, mas não lembro de quem foi.

  7. Minha resposta:

    FAÇA-O!

    Isso não é ruim, é excelente.

    😉

  8. Olha que eu posso sugerir mais uns 10, só no ramo da ficção científica. 😉

  9. Então…

    Segue mais esse

    Juntos somam quase 600 páginas!
    Duro será arranjar tempo.

    😉

  10. Sugiro a leitura de “Eu, robô” (infinitamente melhor que aquele lixo de filme com Will Smith, que não tem nada a ver com o livro).

    Ali tem uma pequena aula de ciência política, sociologia e economia. 😉

  11. André

    Agora sinto a necessidade de ler a trilogia que vc mencionou.

    Quem quiser vir comigo, acesse: http://tinyurl.com/2sfsgu

    Mais uma vez, obrigada pela visita e comentários.

    🙂

  12. Sinceramente, não concordo com as palavras de Milorde Peterson, apesar de lutar bravamente para que ele tenha o direito de dizê-las (sim, sou fã de Voltaire, mesmo sabendo que ele nunca disse a citação que eu parafraseei).

    Pra princípio de conversa, o erro crasso seu, Peterson, é com relação a conceitos. Veja bem, vc disse que não existe sociedade pq ela não pensa. Suas células não pensam, são um aglomerado de substâncias químicas que formam organelas. Vc não é reducionista a ponto de dizer que tem, o QI de uma única célula, é?

    Uma sociedade é a soma de todas as partes e do meio em que ela está imiscuida. Por isso que na trilogia Fundação (de Isaac Asimov), ele infere que a psicohistória só pode prever estatisticamente eventos sociológicos e não acontecimentos individuais.

    Se eu não ligar para a sociedade, focando-me só nos que estão próximos a mim, eu terei sérios problemas. Apagando o conceito de sociedade, destrói-se o conceito de civilização. O homem é animal social, ele não vive individualmente, pois as necessidades evolutivas de seleção natural nos levaram a isso (não estou falando de eugenia nem na bobagem chamada de darwinismo social). Falo no sentido exato.

    Indivíduos sozinhos teriam menor capacidade de sobreviência. Indivíduos que partilham experiências entre si, agregam valores uniformes e juntam-se para viver e dominar o ambiente onde vivem.

    Elevar o conceito de indivíduo acima do conceito social, acarreta numa preocupação. Afinal, não é o que se vê nos políticos?

    ops, logo o André chega aqui e diz que direito não é ciência ‘coisa nenhuma’….eu sei, eu sei, pela visão popperiana não é!)

    Na verdade, nem kuhniana é. No máximo vc poeia inferir num conceito de Feyerabend (o qual eu considero um verdadeiro idiota).

    Sobre esse conceito indivíduo x sociedade, eu pergunto: tomando por base uma análise epistemológica, existe corvo vermelho?

    Não, não fiquei maluco.

    Corvos são pretos. Uma análise precipitada retornaria: o que não é preto, não é corvo.

    Se eu empregar no conceito que não existem maçãs azuis, da mesma forma eu posso dizer que o que não é vermelho, não é maçã.

    Molto bene. Se maçãs são vermelhas, assim como corvos são pretos, e a sociedade não possui similaridades aos indivíduos (indivíduos existem, sociedades, não), e tomando por base todo o estudo da sociologia e antropologia, com suas vertentes, a proposição mostra-se estranha: sociedades existem e têm atuação um pouco diferente da soma dos indivíduos isolados (lembra da célula?).

    Bem, se as sociedades existem, então existe corvo vermelho?

    (não fui eu quem inventou este critério de análise epistemológica, não me atirem pedras).

  13. Fátima, minha querida! Mais uma excelente postagem.
    Revy querido! Mais uma excelente resposta.

    Creio que abordamos o mesmo assunto, só que pelas pontas contrárias, e pelo que pude ler, temos opiniões diferentes.

    Não tão diferentes assim, pelo que pude perceber.

    Sou individualista, e com orgulho, pelo seguinte motivo: Indivíduos existem. Grupos, sociedades, países, empresas, páginas da web, etc existem, é claro, mas não são como os indivíduos. […] Em primeiro lugar, a sociedade não “existe”. Ela não SENTE. Ela não PENSA.

    Isso me lembra René Descartes e o demônio maligno ou, no mesmo sentido, ou da contribuição de Peter Unger, que substitui o demônio maligno por um cientista maligno que cria ilusões (que pensamos ser realidades factuais) ou de Hillary Putnam e a ‘alegoria do cérebro num barril’.

    “Pensamos, logo existimos; e é só o ato de pensar que nos dá a certeza de nossa existência.”

    Cito o assunto não fiando-me em sua ignorância sobre ele (muito pelo contrário, honey 🙂 ), mas tendo em vista outros que eventualmente acessem a postagem e os comentários (é, eu sou prolixa mesmo!).

    Os indivíduos nela pensam e sentem, e uma média geral é feita, mas é um processo que ocorre separadamente, em cada indivíduo. […], a “sociedade” não possui um cérebro, um corpo pra poder sentir. Se eu fizer um bem a você, você se sentir feliz, tudo bem – se assim eu quiser, eu posso gastar meu tempo e meu esforço pra fazer algo que agrade a alguém que eu goste, porque vale a pena ver pessoas queridas felizes. Mas, ao favorecer a sociedade, quem está feliz? A quem estamos beneficiando? Engana-se quem tem a ingenuidade de pensar que todos são beneficiados quando um grupo se beneficia. Gosto de pensar nessas coisas que não existem (que chamo de idealismos, o oposto do individualismo) como capas, fantasias, que alguém veste. Quem veste? A “maioria”. Quando Lula ganhou a eleição, o país ficou feliz, já que a maioria ficou feliz. Mas pra mim a felicidade de uma pessoa não é mais importante do que a de outra, entende?


    Da abordagem do homem individual:

    Sócrates abordou o homem individual no ‘conhece-te a ti mesmo’, como se a frase guardasse uma ‘lição de casa’, o dever de auto-exame e auto-conhecimento.

    Platão interpretou a frase de modo novo, declarou que deveríamos projetar a questão a um plano mais amplo: O homem deveria ser estudado não em sua vida individual, pois nestas experiências (individuais) encontramos fenômenos tão complexos e contraditórios que mais se assemelhariam a um novelo de lã emaranhado.

    O homem deveria ser estudado em sua vida política e social. Porquê assim seria? Vou tentar explicar o que penso:
    – cada pessoa é uma amostra única, um exemplar único de uma espécie (e penso que é isso que vc afirma com a frase ‘os indivíduos nela pensam e sentem…mas é um processo que ocorre separadamente, em cada indivíduo’),
    – apesar de ser um ser único, é fato que o homem vive em sociedade, vive com outros de sua espécie,
    – apesar de sofrer as mesmas influências que os demais indivíduos de seu grupo, cada um interpreta tais influências à seu modo,

    Assim, p.ex, ao estudar o comportamento de ratos, qual método utilizaria um cientista? Pegaria um único exemplar e o estudaria isoladamente ou separaria um determinado número de indivíduos e os estudaria, ao mesmo tempo que individualmente, também em conjunto?

    Na hipótese da primeira escolha (observação do comportamento de um único indivíduo), poderia o cientista extrair conclusões válidas para toda a espécie? Não poderíamos cair na questão do ‘cisne’ (na qual a existência de um único cisne preto invalidaria toda a teoria?).

    Não sou lá fã de Comte, apesar de concordar com a rejeição dele aos pressupostos lógicos e metafísicos sobre os quais se baseia a teoria das idéias e Platão, mas ele bem explicou que se queremos conhecer o sujeito (homem) universal, nosso método de estudo não pode ter como objeto o homem individual. Interpretando a frase socrática, Comte disse:

    “Para conhecer-te a ti mesmo, conheça a história”

    Pra mim, sociedades não podem se sobrepor aos indivíduos porque quando você luta pelos objetivos da sociedade você está favorecendo apenas à maioria – ou, por vezes, uma minoria dominante – ao invés de verdadeiramente favorecer a todos.

    Entendo a base filosófica deste teu modo de pensar, penso (corrija-me se estiver errada), que é baseada na ‘genealogia da moral’, da qual extraio um dos pontos principais:

    “A sociedade, governada por fracos hipócritas, impõe aos fortes modelos éticos que os enfrqueçam e os tornem prisioneiros dóceis da hipocrisia moral vigente”

    É isso, Revy (por favor, corrija se estiver interpretando mal suas idéias, ok?)

    Por quais razões os interesses do grupo deveriam prevalecer sobre a do indivíduo? Porquê optar por uma vida em sociedade (grupo)? Simples: um grupo é mais forte do que um indivíduo. Até crianças inferem isso por instinto quando em grupo até pode aventar a hipótese de desafiar um professor, coisa que o indivíduo isolado dificilmente faria.

    Liberdade é poder, poder é possibilidade – não hierarquia, uma vez que é querendo dominar que se é dominado – e nossa sociedade não é baseada na liberdade, na possibilidade.

    Pois é, Revy, eu falo, em minha postagem do que a sociedade ‘deveria ser’, pois o direito é a ‘ciência’ do ‘dever ser’ (ops, logo o André chega aqui e diz que direito não é ciência ‘coisa nenhuma’….eu sei, eu sei, pela visão popperiana não é!).

    O problema é a diferença entre o que a Sociedade É e do que ela DEVERIA SER; e, neste último campo, a vida social deveria se basear num consenso (é o que vc quer dizer com a frase ‘Os indivíduos nela pensam e sentem, e uma média geral é feita’ – ênfase no ‘uma média geral é feita’).

    No tocante à este consenso, pressupõe-se que todos façam algumas concessões, pois não? E é disso que falo quando menciono o individualismo/hedonismo/niilismo; pessoas que adotam por completo estas ‘filosofias’ como um modo de vida, rejeitam o conjunto de valores eleitos pela sociedade em que vivem. E saliento que quando menciono ‘sociedade’ não refiro-me à algo externo ao indivíduo, mas a algo do qual o indivíduo faz parte.

    Temos que criar um lugar onde podemos sim querer o que quiser, um metasistema de sistemas, baseado no individualismo, na independência, no desenvolvimento pessoal acima de tudo, pois se as pessoas forem mais independentes e mais conscientes teremos a liberdade pra que elas possam escolher entre uma coisa e outra, o eu e o grupo, o eu e o você, sem que isso interfira tanto na sociedade – pra voltar ali no meio, essas decisões interferem tanto na sociedade porque ela é muito interdependente.

    Relativamente à liberdade, é ela pressuposto para a ‘ação moral’, pois a ação só pode ser considerada ‘moral’ se o indivíduo puder ESCOLHER agir de outro modo.

    Portanto, a verdadeira liberdade consiste em fazer o que quiser? Sim. Mas fazer o que quiser não significa caos e destruição totais, como pensam alguns. Será possível que uma pessoa não possa agir positivamente para os outros por que ela quer? Para isso é possível escolher a razão. O assunto do meu post lá 😉

    Acho que entendi o que vc quis dizer: o fato de uma pessoa se auto-determinar segundo seus interesses pessoais NÃO IMPLICA necessariamente que exista um CONFLITO entre os interesses pessoais e o bem-estar do grupo. Sendo livre para escolher, o homem não necessariamente fará uma escolha que sacrifique outro homem.

    Só há um problema: não sou adepta a rotular o homem como bom ou como mau, não creio haver uma ‘inclinação’ ou uma ‘tendência’ para um lado ou para o outro.

    Mas se vivêssemos isolados, se não nos fortalecêssemos e protegêssemos por meio da vida em grupo, seríamos presa fácil a indivíduos que perseguissem seus interesses ignorando quaisquer obstáculos.

    Um exemplo que me veio à mente foi o de um filme chamado ‘Encaixotando Helena’. O cara era tão apaixonado pela mulher que a aprisionou e a esquartejou (sem matá-la) só para possuí-la. Possivelmente você contra-argumente que este exemplo não presta à exemplificar nada pq o cara é um doente. Concordo sim, mas, vivendo isoladamente, o que impediria que se instalasse o DIREITO DO MAIS FORTE?

    Olha, não sei se me fiz entender. Qualquer coisa você pergunta.

    Revy, querido, acho que entendi sim. Se eu não me fiz entender, perdoe, não estou com ‘bons bofes’ ( 😉 ) Concordando ou não, adoro dialogar.

    Abraços fraternos, quais caramelos!

    😉

  14. Fátima, minha querida! Mais uma excelente postagem.

    Creio que abordamos o mesmo assunto, só que pelas pontas contrárias, e pelo que pude ler, temos opiniões diferentes.

    Sou individualista, e com orgulho, pelo seguinte motivo: Indivíduos existem. Grupos, sociedades, países, empresas, páginas da web, etc existem, é claro, mas não são como os indivíduos.

    O que eu quero dizer é o seguinte: logo depois do “descomplicando”, na última página, você dá o exemplo de “paz”. A sociedade quer paz… Em primeiro lugar, a sociedade não “existe”. Ela não SENTE. Ela não PENSA. Os indivíduos nela pensam e sentem, e uma média geral é feita, mas é um processo que ocorre seeeparadamente, em cada indivíduo. Eu não sei se estou me fazendo entender, mas o que quero dizer é que seja a felicidade produto da dopamina (ou qualquer outra -ina, já que minha memória não é lá essas coisas), a “sociedade” não possui um cérebro, um corpo pra poder sentir. Se eu fizer um bem a você, você se sentir feliz, tudo bem – se assim eu quiser, eu posso gastar meu tempo e meu esforço pra fazer algo que agrade a alguém que eu goste, porque vale a pena ver pessoas queridas felizes. Mas, ao favorecer a sociedade, quem está feliz? A quem estamos beneficiando?

    Engana-se quem tem a ingenuidade de pensar que todos são beneficiados quando um grupo se beneficia. Gosto de pensar nessas coisas que não existem (que chamo de idealismos, o oposto do individualismo) como capas, fantasias, que alguém veste. Quem veste? A “maioria”. Quando Lula ganhou a eleição, o país ficou feliz, já que a maioria ficou feliz. Mas pra mim a felicidade de uma pessoa não é mais importante do que a de outra, entende?

    Eu não sei se estou escrevendo algo compreensível, eu espero que me entendas =/ Pra mim, sociedades não podem se sobrepor aos indivíduos porque quando você luta pelos objetivos da sociedade você está favorecendo apenas à maioria – ou, por vezes, uma minoria dominante – ao invés de verdadeiramente favorecer a todos. LIberdade é poder, poder é possibilidade – não hierarquia, uma vez que é querendo dominar que se é dominado – e nossa sociedade não é baseada na liberdade, na possibilidade. Temos que criar um lugar onde podemos sim querer o que quiser, um metasistema de sistemas, baseado no individualismo, na independência, no desenvolvimento pessoal acima de tudo, pois se as pessoas forem mais independentes e mais conscientes teremos a liberdade pra que elas possam escolher entre uma coisa e outra, o eu e o grupo, o eu e o você, sem que isso interfira tanto na sociedade – pra voltar ali no meio, essas decisões interferem tanto na sociedade porque ela é muito interdependente.

    Portanto, a verdadeira liberdade consiste em fazer o que quiser? Sim. Mas fazer o que quiser não significa caos e destruição totais, como pensam alguns. Será possível que uma pessoa não possa agir positivamente para os outros por que ela quer? Para isso é possível escolher a razão. O assunto do meu post lá 😉

    Olha, não sei se me fiz entender. Qualquer coisa você pergunta haehahae

  15. Infelizmente, nem sempre a lógica é aplicada. Somos criaturas muito ilógicas, como diria o Sr. Spock. 😉

    Porque, Jim, as necessidades de muitos às vezes são sobrepujadas pelas necessidades de poucos… ou de um. Eu sempre fui e sempre serei o seu amigo.

  16. André

    Correto e isso também é um princípio de Direito.

  17. Princípios lógicos dizem que as necessidades de muitos sobrepujam as necessidades de poucos.