Múmias encontradas em São Paulo

27fev08

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 A estória excita nossa imaginação: ouvindo-a, imediatamente nos lembramos das peripécias de Indiana Jones (ou, no caso dos mais jovens, de Rick O’Connel):

Oito múmias de cerca de 200 anos foram descobertas recentemente em paredes do Mosteiro da Luz, a descoberta das duas primeiras (múmias) foi relatada ontem pelo capelão do local, enquanto que a descoberta das outra foi relatada somente hoje. Segundo dito capelão, operários encontraram os restos, provavelmente de freiras, quando combatiam cupins.

O padre Armênio Rodrigues Nogueira, responsável pela Mosteiro da Luz disse que:

“Havia rastro dos cupins, e os técnicos entraram nas paredes de dentro do museu para ver o que tinha lá. Foi uma grande surpresa, não sabemos há quanto tempo as múmias estavam ali”

Encontrados há algumas semanas, os restos foram mantidos em sigilo pelo mosteiro, que entregou as múmias ao Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan).

O material depois será investigado por arqueólogos e antropólogos ligados ao Museu de Arte Sacra, segundo a assessoria da Arquidiocese de São Paulo.

O ambiente no qual o material foi encontrado será esterilizado, lacrado e desumidificado para evitar riscos à preservação, completou a assessoria da arquidiocese, que informou que até 1822 as freiras que habitavam o local eram enterradas ali.

O processo de mumificação, no entanto, não faz parte de nenhum rito católico. O mosteiro foi fundado e construído em 1774 por frei Antonio de Sant’Anna Galvão, que no ano passado foi santificado no Brasil pelo papa Bento 16. A Igreja Católica paulistana considera o prédio como o mais importante monumento arquitetônico colonial do século 18 na cidade.

O Museu de Arte Sacra, onde foram encontrados as múmias, é protegido por paredes de taipa e fica na área do mosteiro, que é habitado pelas chamadas Irmãs Concepcionistas. Elas se dedicam exclusivamente à oração e ao trabalho e pouco saem dali.

Segundo o jornal Diário de São Paulo (pág. A3), diários antigos arquivados no Mosteiro podem servir para a identificação das múmias encontradas.

Costume antigo:

Diversas foram as formas adotadas, ao longo da História da Humanidade, para os ritos funerários, os vikings geralmente eram enterrados com seus barcos; os egípcios, com pertences pessoais que lhes garantiriam a vida pós-morte. Entre os cristãos, havia o costume de enterrar os corpos nas proximidades das igrejas ou até mesmo dentro delas, prática abandonada por óbvias questões de saúde pública.

Todavia, mesmo considerando a datação das múmias descobertas, a posição em que foram encontradas é bastante atípica: lado a lado e praticamente abraçadas, veja imagem:

Múmias em SampaMúmias em Sampa 2

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 História:

São Paulo, com cerca de 10 milhões de habitantes, é hoje a maior metrópole da América do Sul. Da cidade colonial, erguida com barro, cal e areia, restam apenas algumas edificações. Tratam-se de relíquias históricas e arquitetônicas que, sobrevivendo às profundas transformações urbanas econômicas e sociais, integram-se ao dia a dia da cidade, como testemunhos vivos do passado.

Mosteiro da Luz no ano de 1860Mosteiro da Luz - foto recente

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O Mosteiro da Luz, fundado e construído por Frei Antonio de Sant’Anna Galvão, em 1774, é um desses exemplos, sendo considerado, atualmente, o mais importante monumento arquitetônico colonial do século XVIII. Encerrado na última chácara conventual urbana, no Bairro da Luz, coração da cidade de São Paulo, foi tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional – IPHAN – em 1943, e pelo Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, Artístico e Arquitetônico do Estado de São Paulo – CONDEPHAAT – em 1979, sendo reconhecido como monumento de interesse e preservação nacional.

No seu interior, protegido por suas imponentes paredes de taipa, preserva-se o clima de silêncio e meditação, quer seja no secular recolhimento das Irmãs Concepcionistas, que ainda hoje dedicam-se à oração e ao trabalho, como nas dependências do Museu de Arte Sacra de São Paulo. A Igreja da Luz, fundada em 1802, um dos raros exemplos de planta octogonal do período, compõe o conjunto arquitetônico do Mosteiro da Luz e acolhe, ainda hoje, com sobriedade, ritos religiosos.

Fonte: Portal Terra

Para saber mais:
Utilização de Igrejas como cemitários
Protesto contra a proibição de enterros em Igrejas
As práticas escandinávias vikings e suas transformações

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4 Responses to “Múmias encontradas em São Paulo”

  1. Joy:

    Não sei te responder. Tenta perguntar ao responsável pelo Mosteiro. Se descobrir, volta aqui e posta a resposta.

    Obrigada pela visita e comentário.

  2. 2 joy

    olha a minha pergun ta é se a vetigios quedigam que as freiras estavam gravidas e se foram enterradas vivas por isso???

    • 3 MIRA

      Mesmo se quizessemos não poderiamos tirar a palavra IMBECIL da nossa linguagem, que o diga o JOY

  3. Qualquer ambiente quente e seco promove a desidratação rápida de um corpo orgânico. Assim, as bactérias responsáveis pela decomposição dos tecidos não têm tempo para agir.

    O mesmo aconteceu com as Múmias de Chinchorro, povo que habitou os Andes e o lugar mais seco do mundo: o deserto de Atacama.

    http://cedoc.ensp.fiocruz.br/informe/materias.cfm?mat=6091

    Só quero ver a “milagrada” que vão alegar para este fenômeno para lá de natural.