Governo do Rio tira R$ 117 milhões do Ensino Médio

21fev08

 Não à educação

O Ensino Médio, área de responsabilidade exclusiva do governo do Estado do Rio perdeu, no ano passado, cerca de R$ 117 milhões. O recursos foram remanejados do orçamento da Secretaria de Educação para outras áreas do governo, inclusive para custear despesas do Ensino Fundamental. Conforme reportagem publicada nesta quinta-feira no jornal O Globo , embora o estado tenha atingido o índice exigido para o gasto total na educação, os números da secretaria, em 2007, mostram que unidade poderia ter realizado mais. A pasta recebeu um acréscimo de R$ 81 milhões em seu orçamento, mas, mesmo assim, fechou o ano deixando de aplicar R$ 33 milhões.

O governo alega que, mesmo com as mudanças, não prejudicou as atividades do Ensino Médio. A Secretaria Planejamento disse que a sobra no orçamento da Educação, de R$ 33 milhões, se deve à dificuldade que o governo teve para iniciar a execução dos recursos em 2007. De acordo com técnicos da secretaria, os remanejamentos são feitos a pedido dos gestores de cada área.

Segundo a Secretaria de Planejamento e Gestão, o remanejamento total do orçamento foi, na verdade de R$ 111 milhões, que ajudaram a pagar o pessoal do Ensino Fundamental, ainda sob a responsabildade do estado.

Fonte: O Globo Online

Comentário:

No passo em que cainhamos, ficaremos no compasso de espera e nunca encontraremos o verdadeiro desenvolvimento e liberdade, posto que somente poderemos alcançá-los mediante um esforço maciço em prol da educação de todos os concidadãos.

O problema não é local, muitos países sofrem deste mal; estamos todos sendo sistematicamente ‘entretidos’ e mantidos na mais vil escravidão, que é a ignorância. Carl Sagan dedicou dois longos capítulos à abordagem da questão no livro “O mundo assombrado pelos demônios” onde, em suma, relaciona o obscurantismo com a falta de conhecimento, o problema da educação à liberdade e relaciona o problema do analfabetismo, pronunciando-se nos seguintes termos:

“Não há uma solução única para o problema do analfabetismo em ciência – ou em matemática, história, inglês, geografia e muitos outros campos de que nossa sociedade mais necessita. As responsabilidades são amplamente partilhadas – os pais, o eleitorado, os conselhos das escolas locais, a mídia, os professores, os administradores, os governos federal, estadual e local, além dos próprios estudantes, é claro.”

No Brasil vivemos um estelionato educacional:

• Aprovação automática = para aumentar os índices de IDH, em muitos locais foi instituído tal sistema onde, em suma, mesmo que o aluno do ensino fundamental não tenha aprendido absolutamente nada, ainda assim é aprovado para a fase subseqüente,
• Estrutura familiar = os pais, ou por serem ainda mais ignorantes (desconhecendo assim, a profundidade do mal que tal sistema causará aos filhos) ou por absoluta irresponsabilidade (estando, por isso pouco se importando com ditos males), não movem ‘palha’ para exigir dos professores maior empenho no ensino de seus filhos,
• Colégios particulares = em sua maioria, enxergam os alunos como receita e os professores como despesa; enquanto os pais enxergam ditos locais como ‘depósitos de crianças’ (livrando-os do ‘problema’ boa parte do tempo); assim, se os alunos não quiserem aprender, quem recebe cartão vermelho é professor que eventualmente tenha se preocupado em ensinar,
• Ensino superior público = as vagas são ínfimas, incapazes de atender a todo o público que deseja usufruir do ensino. Como a demanda é superior à oferta, a disputa é acirradíssima, o que faz com que o aluno que foi aprovado automaticamente chegue às portas do vestibular com pouca ou nenhuma chance na disputa,
• Ensino superior privado = o aluno é um cifrão que ‘flutua’ nos caixas de tais instituições. Como em sua maioria não foram treinados para a árdua tarefa do aprendizado, ressentem-se com professores que se preocupam em ensinar toda a matéria curricular. De outro lado, em ditas instituições, raramente é necessário, para ministrar aulas, que o professor tenha qualquer especialização stricto ou lato sensu.

Carl ainda cita o exemplo de Frederick Bailey, que mais tarde adotou o nome de Frederick Douglas, homem escravo que descobriu que a verdadeira liberdade se conquista com o conhecimento. Concordo com o ilustre autor em número, gênero e grau, inclusive no tocante à palavra escrita (livros) que se tornou a melhor ‘vela que poderíamos acender no escuro’:

“Não devemos acreditar nos muitos que dizem que só as pessoas livres devem ser educadas, deveríamos antes acreditar nos filósofos que dize que apenas as pessoas educadas são livres “

Epícteto, filósofo romano e ex-escravo, Discursos.

Enquanto isso, em Sampa, a Prefeitura alega falta de demanda e decide fechar quatro bibliotecas (notícia veiculada no jornal Folha de São Paulo, dia 19.02.2008, pg. C6). Segundo a Secretaria Municipal de Cultura, houve apenas 50 acessos por dia, em cada uma delas, nos primeiros nove meses de 2007. Ou seja: ataca-se o efeito e não a causa: no lugar de iniciar campanha de popularização das bibliotecas, para que os acessos aumentem, fecham-nas, relegando à ‘orfandade’ as cinquenta pessoas pessoas que visitavam diariamente cada um destes estabelecimentos (50 pessoas X 4 bibliotecas x 30 dias X 9 meses = 54.000 pessoas que tiveram o acesso aos livros negados).

É de se lamentar profundamente!

Para saber mais:
Frederick Douglass 1
Frederick Douglass 2
Carl Sagan
Estelionato educacional em cursos jurídicos
Nos demais cursos

Anúncios