Corrupção

20fev08

Corrupção 

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Conceito Dicionário: s.f Depravação, suborno, desmoralização.

É esse o tema do presente, algo que todo mundo sabe (ou acha que sabe) o que é. Vejamos: sabemos mesmo o que é corrupção?

Muito se fala em corrupção nos altos escalões: são desvios na Previdência, dólares na cueca, compra de votos, compra de sentenças e no fim, a mesma velha história: tudo acabando em pizza. 

Mas e em pequena escala, o quê seria corrupção? 

Pois acho muitíssimo fácil reclamar dos grandes roubos, mas e dos pequenos furtos? Sou funcionária pública há ‘trocentos anos’ (não direi quantos e os nobres leitores não perguntarão, pois tal equivaleria a revelar a minha idade e todos sabemos que perguntar à uma dama sua idade não é educado 😉 ), minha vida é uma correria sem fim, trabalho muito (não sou ‘vagabunda’), estudo muito e NÃO SOU CORRUPTA. Poderiam os leitores pensar: ‘ah, é ela uma exceção’. Pasmem: não sou. Não que possua alguma estatística que o comprove (e, mesmo que possuísse alguns dados, a amostra não seria representativa. Mas posso afirmar, por minha experiência que poucos colegas de trabalho (ou amigos) são corruptos no exercício da função pública: uns não se entregam à corrupção por medo da punição, outros por ideologia, e outros por absoluta incompetência.

Pois até mesmo para ser corrupto é necessária alguma competência: existem rastros que têm de ser apagados. Bom, corrupção para mim é TODA e QUALQUER vantagem indevida. Neste contexto, corrupção seria: 

a)     Tentar furar a fila do ônibus,

b)      Receber troco errado e não devolver,

c)      Achar uma carteira na rua com dinheiro e identificação suficiente à possibilitar a devolução e não fazê-lo (não devolver a carteira COM o dinheiro),

d)     Usar os assentos reservados aos idosos e deficientes e fingir que está dormindo para não ceder o lugar à tais pessoas,

e)     Aceitar qualquer tipo de ‘caixinha’ para cumprir sua obrigação,

f)       Levar uma criança de colo numa agência bancária APENAS para poder usar a fila específica para tal (lembrando: a lei diz que a fila é especial para idosos e MULHERES com crianças de colo),

g)      e otras cositas más, O que vejo em nossa Sociedade é uma total inversão de valores morais, que chega a assustar. 

Tá, meus padrões são rígidos? São! São exagerados? Não! Outro dia um amigo chamado Marcelo me comparou ao ‘Lineuzinho’ da “Grande Família”, querendo com isso dizer que sou tão ‘certinha e chata’ quanto ele.

Pô, sou eu a errada? Ou são os padrões que estão invertidos? Muito me assusta e envergonha ver por todo canto que olho, gente reclamando da corrupção e adotando procedimentos tão errados quanto, só que em menor escala. 

Exemplo: fizeram um enorme alarde sobre o fato de um funcionário do aeroporto ter devolvido uma carteira cheia de dinheiro ao legítimo proprietário, trataram o funcionário como herói (já disse e repito: em minha opinião não precisamos de heróis!). É ele um herói? Em minha sincera opinião, não. Apenas cumpriu sua obrigação.

É ser honesto não é uma qualidade, gente, é uma obrigação. Apesar que, não posso deixar de anotar que o nosso Código Civil  (artigo 1234) institui àquele que devolver objeto encontrado o direito à recompensa não inferior a 5% do valor do objeto.

Droga! 😦 Bem que eu podia achar uma mala com um milhão de reais, né?!

Vejamos: seria intuito do legislador premiar a honestidade? Por certo que não: o intuito foi compensar o esforço despendido na devolução do objeto. 

Acho que é só: este post provavelmente fará pouco sucesso, possível e provavelmente me chamarão de ‘hipócrita’, ‘burra’ ou ‘chata’…faz mal não, já estou acostumada. Não preciso de um livro mágico ou da ameaça de uma punição para saber o que é correto, isso aprendi de pequena e ainda acho que vale a pena continuar assim, até mesmo porque, não conseguiria ser diferente.

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