Tens um desafeto? Livre-se dele por 100 contos.

11fev08

 Pistoleiro

A equipe de reportagem do portal Terra descobriu uma cidade em que a vida humana vale R$ 100,00.

É, você não leu errado: cem pilas. Pisou no teu calo? Cem pilas e o ‘cabra já era’. Cantou tua mulher? Cem pilas e o ‘sujeito vai falar com São Pedro mais cedo’.


1) Geral
Com o “título” de município mais violento do Brasil, a cidade de Coronel Sapucaia fica em um ponto obscuro do sul de Mato Grosso do Sul, numa região dominada pelo tráfico de drogas e pelo contrabando, na fronteira com o Paraguai. Segundo o Mapa da Violência, divulgado em janeiro, a cidade registra uma taxa de 107 homicídios para cada 100 mil habitantes. Em 2006, foram 13 homicídios – um para cada mil habitantes. A cidade localiza-se junto à fronteira com o Paraguai e nela uma morte pode ser encomendada por R$ 100, e 90% dos inquéritos de assassinato são concluídos sem que o autor seja identificado. Em metade dos crimes, a vítima sequer é identificada.Quem anda à noite pela fronteira mais perigosa do Brasil pode se sentir num faroeste. Em Capitán Bado, Paraguai, pouca gente circula pela rua. Tirando o posto de combustível, nada fica aberto depois das 21h. Neste horário, seguranças privados reinam pelas ruas carregando livremente armas de grande porte, como escopetas calibre 12, fuzis leves e pistolas automáticas 9 mm.

Um suboficial da Polícia Nacional do Paraguai declarou que:

“Há muitos pistoleiros por aqui, a maioria já trabalha para a máfia, mas eles sempre pegam um serviço por fora”

E pediu para ter o nome preservado porque não tem autorização da corporação para dar entrevista. Segundo ele, com R$ 1 mil qualquer um pode contratar um assassino de aluguel.

O delegado da Polícia Civil de Coronel Sapucaia, Marcius Geraldo Santos Cordeiro, desconfia da ‘tabela’ citada pelo colega paraguaio. “Mil reais só se a vítima tiver muito relevo, aqui um pistoleiro mata por R$ 100, eu mesmo tenho inquéritos na minha delegacia, onde um pistoleiro recebeu R$ 140 para matar”.

Coronel Sapucaia cola-se num canteiro central com a cidade paraguaia de Capitán Bado, que tem 8 mil habitantes. A divisão política é apenas uma linha imaginária assinalada por marcos de concreto, não existe controle sobre a passagem de pessoas e mercadorias e, com a ausência do Estado, Sapucaia e Bado se tornaram um remanso para criminosos dos dois países. A Polícia Federal e a Senad (órgão anti-drogas do Paraguai) apontam a região como a provedora de 80% da maconha consumida no Brasil e nos países do Cone-Sul e como um dos mais importantes entrepostos da cocaína produzida nos Andes e enviada para grandes cidades brasileiras e para mercados consumidores da Europa e do Oriente Médio.

Uma visita à delegacia da cidade é o suficiente para compreender porque os crimes não são solucionados. Há apenas um delegado e três agentes. Não há escrivão e o perito mais próximo está a 130 km de distância.
O delegado Marcius Geraldo Santos Cordeiro, 45 anos (que chegou à cidade em agosto do ano passado. Cordeiro, aliás, não permanece na cidade em tempo integral. Também comanda uma delegacia na vizinha Amambai, a 40 km), declarou que:

“Eles matam mesmo é do lado de lá. Em 60% dos casos, as mortes acontecem no Paraguai e os corpos só são ‘desovados’ aqui, muitas vezes não conseguimos nem identificar a vítima porque é comum, em disputas do tráfico, que as vítimas tenham olhos arrancados, muitas vezes, as mãos são decepadas e os corpos são mutilados. São crimes cometidos com requintes extremos de crueldade”

Anúncios

Páginas 1 2 3