Bento XVI denuncia violência contra as mulheres

10fev08

Declaração do Papa no seminário internacional

 

O papa Bento XVI denunciou hoje que, em muitas partes do mundo, a mulher é discriminada pelo simples fato de ser mulher, por razões familiares e inclusive religiosas, e pediu igualdade de direitos e o combate à violência contra as mulheres. 

Bento XVI fez estas declarações no discurso aos participantes do congresso internacional “Mulher e homem, o ”humanum” em sua integridade”, organizado pelo Conselho Pontifício para os Laicos no 20ª aniversário da publicação da Carta Apostólica de João Paulo II sobre as mulheres “Mulieris dignitatem”.

 O Pontífice denunciou que ainda persiste uma mentalidade machista, “que ignora a novidade do Cristianismo”, que reconhece e proclama a igual dignidade e responsabilidade da mulher a respeito do homem. “Há lugares e culturas onde a mulher é discriminada e subestimada pelo simples fato de ser mulher, onde se recorre a argumentos religiosos e a pressões familiares, sociais e culturais para manter a desigualdade de sexos”, disse Bento XVI. O Papa acrescentou que continuam ocorrendo atos de violência contra a mulher, “convertendo-a em objeto de maus-tratos e de exploração na publicidade e na indústria do consumo e da diversão”. Diante de fatos “tão graves”, disse que é mais urgente do que nunca o compromisso dos cristãos para se transformar em promotores de uma cultura que reconheça à mulher, no direito e na realidade dos fatos, a dignidade que lhe corresponde. Bento XVI também pediu que os Estados apóiem com adequadas políticas sociais “tudo o que signifique promover a estabilidade e a unidade do casamento, a dignidade e a responsabilidade do casal, seu direito e obrigação insubstituível de educador dos filhos”. Em referência ao documento do papa João Paulo II “Mulieris dignitatem”, Bento XVI disse que seu antecessor reafirmou a igualdade em dignidade entre homem e mulher e a unidade dos dois, radicada na diferença entre ambos e na reciprocidade e complementaridade, em colaboração e a comunhão. 

Fonte: Terra Notícias

 :::::No que se refere à propalada ‘novidade do Cristianismo’, penso que nada se vê de realmente ‘novo’: as doutrinas continuam as mesmas:

  • O Homem continua sendo considerado o cabeça da família e acima da Mulher (Efésios 5:22-24; I Timótio 2:11-14; I Pedro 3:1; Levítico 12:3-5 e 27:3-4)
  • A ICAR continua fazendo de um tudo para impedir a legalização do aborto e para revogar os textos legais que permitem o aborto em certos casos, mesmo em casos em que a gestação e o parto tragam prejuízos à Mulher (leia mais)

Considero que a ICAR ou qualquer outra denominação religiosa tem todo o direito de criar regras de conduta para seus seguidores, mas estendê-las à toda a Sociedade é um abuso de tal direito, notadamente num Estado de Direito considerado laico. A declaração do papa (de que considera a mulher equiparada ao homem) é mentirosa, na medida em que vai de encontro ao que consta no texto sagrado.

Um efetivo reconhecimento, pela sua Santidade, da igualdade da mulher, teria, necessariamente de passar pelo reconhecimento de que os textos bíblicos que colocam a mulher em desigualdade são ultrapassados.

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