‘Mama África’ – Capoeira de Angola

09fev08

África globo

Só não vê quem não quer: inegável o legado da África em nossa cultura, em nossas peles, em nossas religiões, enfim… 

Pensando nisso, lembrei-me de uma interessante reportagem sobre a Capoeira que vi numa revista, transcrevo aqui como uma singela homenagem ao extinto grupo de Capoeira Irmandade Doyá-Zilê, cuja lembrança me deu uma saudade de apertar o coração.

Foto do grupo de capoeira Irmandade Doyá-Zilê

  ::::::::::::::::::::

Capoeira de AngolaCapoeita de Angola - uso do berimbau

 O escravo Felipe Angola caminhava sozinho pelas vielas do Rio de Janeiro. Naquele 10 de setembro de 1810, estava longe dos olhos do seu senhor, o comerciante Francisco José Alves, mas era observado de perto. De repente, foi surpreendido por uma patrulha da Guarda Real.  Emboscado, tentou uma manobra que dominava: atacou os guardas com um movimento de pernas. Sua habilidade e força não bastaram para conter os três policiais, que o levaram preso.  

Felipe se tornou o primeiro escravo a ir para trás das grades no Rio de Janeiro por ser capoeirista. A arte marcial (ainda) não era um crime. Só o suficiente para transformar seus adeptos em criminosos em potencial, para uma polícia que agia à revelia da lei.  Praticada por negros de diversas origens africanas, a capoeira não era proibida no início do século 19. A elite carioca, entretanto, se sentia ameaçada pela presença marcante dos capoeiristas (ou “capoeiras”) nas ruas. 

Enquanto as gangues de lutadores usavam sua arte marcial para disputar território e se defender da polícia, os brancos assistiam a essa agitação temendo que os escravos resolvessem se rebelar para valer. Esse medo tinha sido potencializado pelas notícias da revolta ocorrida no Haiti em 1791. Na ilha caribenha, os escravos tinham abandonado as plantações de cana, destruído engenhos e massacrado proprietários de terra e colonizadores franceses. 

Entre os cariocas, a proporção de escravos não parava de aumentar. Em 1808, quando a família real portuguesa chegou ao Rio fugindo dos exércitos de Napoleão, houve uma explosão demográfica na cidade.  Os mais de 15 mil portugueses que deixaram Lisboa para acompanhar o rei dom João VI fizeram crescer a demanda por cativos. Em 1821, os escravos eram 46 mil, metade da população do Rio.  Nas freguesias onde viviam, muitas vezes isoladas pela geografia carioca, os capoeiras passaram a se reunir em “maltas”.

Essas gangues, formadas por negros africanos e brasileiros, escravos e alforriados, quando se encontravam lutavam até sangrar. “As maltas viviam uma rivalidade crônica, o que era esperado em uma sociedade regida pela violência, e não pela harmonia entre as raças”, diz o historiador Carlos Eugênio Líbano Soares, autor de A Capoeira Escrava e Outras Tradições Rebeldes no Rio de Janeiro (1808-1850). Graças aos arquivos policiais que documentavam as prisões dos capoeiras, historiadores como Soares reconstituíram o que ocorria nas ruas daquela época.

Os registros da polícia também ajudaram a entender o nascimento da arte marcial. Como a maioria dos escravos brasileiros ficava na zona rural, durante muito tempo chegou-se a acreditar que a capoeirateria nascido em senzalas ou quilombos. “A capoeira aparece nos documentos do século 19 como hegemonicamente urbana”, afirma Soares, que considera o Rio como um dos berços da luta, no século 17. Nos documentos históricos em que Soares fez sua pesquisa, há apenas um caso em que a palavra “capoeira” é mencionada sem se referir à luta.  Esse era o nome de um tipo de cesto de palha usado pelos escravos para carregar mercadorias na zona portuária do Rio. Esses estivadores negros foram os primeiros a exibir as técnicas da arte marcial, competindo entre si nas praias para ver quem era o mais hábil.

Anúncios

Páginas: 1 2 3



3 Responses to “‘Mama África’ – Capoeira de Angola”

  1. 1 Carol

    esse site não tem nada

  2. Marcelo

    Que visita adorável!

    Também tenho saudades…não que eu fosse muito boa capoeirista….haha! 🙂

    Volte sempre, querido!
    Beijão!
    😉

  3. 3 MARCELO CAITANO

    òtima recordação e belíssima homenagem

    também tenho sds daquele tempo

    Beijos