A maior e mais velha história já contada

08fev08

2.2) Os ícones religiosos como plágio do “Deus Sol”

O filme discorre sobre as semelhanças existentes entre os mais diversos ícones religiosos e a personificação do astro Sol num ‘deus’, levando o leitor a concluir que trata-se de mero plágio, que os deuses nada mais são do que cópias do originário ‘Deus Sol’.

a) Argumentos em favor da tese do filme:

De fato, a análise dos mais diversos deuses relacionados (relação à parte) (incluindo o deus Cristão ‘Jesus’) demonstra que as ‘coincidências’ são grandes por demais para passarem como meras ‘coincidências’.

Quais seriam as características dos deuses que foram ‘emprestadas’ do ‘deus-sol’? Seriam elas:

a.1) Nascimento de uma virgem na data de 25 de dezembro,
a.2) Nascimento acompanhado de uma estrela a ‘Este”,
a.3) Referida estrela foi seguida por três reis que buscavam o ‘salvador’,
a.4) Aos 12 anos de idade, a criança demonstra talentos especiais (criança-prodígio),
a.5) Crucificação, Morte e Ressurreição após três dias (da morte).

No filme, tais aspectos são analisados. Façamos do mesmo modo:

• Seqüência do nascimento (subitens ‘a.1’ a ‘a.3’):

A estrela do Ocidente é a estrela Sirius; é a mais brilhante no céu noturno. Na data de 24 de dezembro, ela alinha com as três estrelas mais brilhantes do cinturão de Orion. Estas três estrelas são conhecidas como “Três Reis” (em português “Três Marias”) e neste alinhamento noturno, acabam elas (as estrelas Sirius e os Três Reis) por apontar para o nascer do Sol no dia 25 de dezembro. Este seria o motivo pelo qual se diz que “os três reis seguem a estrela” (Sirius) em busca do “salvador” (Sol).

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No que se refere à virgem, “Virgem Maria” é a constelação de Virgem, em latim ‘Virgo’; o antigo símbolo para ela é um ‘M’ alterado, o que explicaria o motivo pelo qual ‘Maria’ (mãe de Jesus) e outras progenitoras virgens, como a ‘Mirra’ (mãe de Adônis) ou ‘Maya’  (mãe de Buddha) teriam seus nomes iniciados com referida letra.

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Tratando mais especificamente sobre a mitologia cristã, o filme menciona o local de nascimento do cristo: Belém ou Bethlehem, que seria tão-somente uma referência à ‘Casa do Pão’, nome pelo qual também é conhecida a Constelação de Virgem e isso em decorrência do fato da virgem ser representada como uma mulher segurando um feixe de espigas de trigo (as espigas representando os meses de agosto e setembro, período de colheitas).

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• Crucificação, morte e ressurreição após três dias (subitem ‘a.5’):

Explorando o fato de que diversos mitos religiosos partilham os conceitos de crucificação-morte-ressurreição, associa o filme tais conceitos a um fenômeno astrológico ligado ao Sol.

Durante os meses de novembro a dezembro, na perspectiva de quem está no Hemisfério Norte, o sol parece mover-se para o sul, e neste movimento parece ficar cada vez menor e mais fraco, encurtando os dias e findando o período de colheitas em decorrência a aproximação do inverno (simbolizando a morte). Tal seqüência seria conhecida como ‘a morte do sol’.

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No vigésimo-segundo dia do mês de dezembro, a ‘morte do sol’ estaria completamente realizada, pois seu contínuo movimento para o sul o deixa, aparentemente, em seu ponto mais baixo no céu.

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Sob a perspectiva d’uma pessoa que se encontra em referido hemisfério, parece que o sol deixa de se movimentar durante três dias, durante os quais fica ele posicionado abaixo da Constelação Cruzeiro do Sul (ou Constelação de Crux ou Alpha Crucis), motivo pelo qual se diria que ‘o sol foi crucificado e esteve morto por três dias’.

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Findo este período de três dias, o sol se move um grau para cima e para o Norte, reiniciando seu curso normal (reinício do ciclo que traria a Primavera e com ela a ‘salvação’). Seria esta a razão pela qual Jesus e muitos outros deuses do Sol partilhariam tais idéias (morte-crucificação-ressurreição).

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Todavia, a celebração da ressurreição do ‘Sol’ seria efetuada apenas no equinócio da Primavera (ou Páscoa), posto que neste período o período diurno se torna maior, simbolizando o Sol dominando as trevas (ou o mal).

O símbolo do Cristianismo (cruz) nada mais seria do que uma adaptação do símbolo espiritual pagão que representava o Sol no centro do zodíaco (constelações).

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Por este motivo, nos primórdios do cristianismo, Jesus teria sido representado com sua cabeça no centro da cruz (como o deus-sol) e sua ‘coroa de espinhos’ nada mais seria do que os ‘raios do sol’.

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• O número 12 (subitem ‘a.4’):

No filme procura-se demonstrar que o número 12, largamente presente na mitologia cristã, nada mais é do que também uma associação astrológica/astronômica com as 12 constelações do zodíaco, pelas quais viaja o ‘Sol’ e referido número seria abundante no texto:

12 tribos de Israel
12 príncipes de Israel
12 irmãos de José
12 juízes
12 grandes patriarcas
12 discípulos de Jesus
12 profetas
Jesus ensinando no Templo aos 12 anos de idade

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• Os textos de referência:

Como mencionei no início da presente postagem, tenho lido várias publicações sobre o assunto. Com argumentos similares aos defendidos pelo filme, encontrei os seguintes (posto os links para não me tornar repetitiva e para manter a integridade das idéias defendidas por seus autores):

Festival dos Messias,
Nem Jesus Cristo nem Cristo,
A maior farsa de todos os tempos,
Jesus Mitológico,
As mil faces de Jesus,
A ressurreição de Jesus,
Jesus Histórico,

b) Argumentos em desfavor da tese do filme:

Como creio que é sempre de bom alvitre olhar todas as questões que nos são propostas de vários ângulos (haja vista que não creio haver uma ‘verdade universal inconteste’), separei alguns argumentos que encontrei num blog e posto-os aqui, para análise dos leitores:

• A doutrina de Jesus Cristo, ou de Buda, tem alguma coisa relacionada com a adoração do Sol, como insinua o filme?

Eu acho que nem valeria a pena responder a esta pergunta, de tão absurda que é. Já aqui falei de Immanuel Kant, que é considerado pela maioria dos académicos como o maior filósofo moderno, da sua “Crítica da Razão Pura” e a introdução do “Penso, logo conheço”, em contraponto ao “Penso, logo existo”, baseando-se no conceito “a priori” da “subjectividade transcendental”; Schopenhauer estudou o Budismo e o Hinduísmo. Fichte desenvolveu a concepção do “Eu infinito”, o homem na pureza e no grau absoluto da sua essência, o Ser como sendo algo infinito, Deus como sendo o Absoluto, e o Eu como sendo a auto-consciência, o saber tornado em imagens, cópias ou manifestações do Absoluto. Fichte é de tal modo importante, que o próprio Hegel sintetizou a sua filosofia. Fichte vai de encontro à filosofia quântica moderna, o que fez dele um visionário muito mal compreendido pelos seus pares na sua época.
Tantos foram os filósofos que abordaram com empatia as temáticas da religião e da transcendência, que seria prolixo estar aqui a enumerar todos. O que filme faz, no fundo, é afirmar que todos esses filósofos e académicos eram uns idiotas.
A pergunta em epígrafe remete para a religiosidade humana, inerente ao ser humano, e que só nele pode ser encontrado. Naturalmente que o Sol foi objecto dessa religiosidade humana num tempo em que os humanos davam os primeiros passos no Conhecimento, mas seria totalmente absurdo comparar uma religião que tem uma Ética e uma Moral, com o culto do Sol, da Lua, ou de uma pedra.

Bom, é necessário ressaltar que o autor deste texto explicou em seu blog que não assistiu o filme inteiro, o que poderia justificar, em parte, sua análise.

Sobre os filósofos – sim, eles falaram muitas besteiras. Como exemplo cito Aristóteles, chamado de ‘Ille Philosophus’ (O Filósofo) => sua astronomia é um amontoado de romance infantil, sua biologia entra por descaminhos intermináveis, rejeitou a idéia de Pitágoras (de que o Sol é o centro de nossos sistema, preferindo conceder esta honra à Terra). Sobre ‘Deus’ defendida que era ele primum mobile immotum (agente motor imóvel), associando-o à causa do movimento. O movimento, ao contrário da matéria (admitindo que esta poderia ser eterna), teria de ter um início e referido início teria de ter uma causa.

“Deus movimenta o mundo tal como o objeto adorado movimenta o amante”

in Metafísica IX, 7,

“Ele é causa final da natureza, e o impulso e o propósito das coisas, a forma do mundo; o princípio da vida deste mundo, a soma de seus processos e poderes vitais, a meta inerente de seu crescimento, a estimulante enteléquia do todo Ele é pura energia”

in Metafísica XII, 8.

Resposta: O argumento do relógio (ou o design inteligente). No texto a Improbabilidade de Deus, Richard Dawkins aborda este assunto. A crença na existência de uma inteligência criadora reflete o espanto dos humanos ante a magnitude da natureza. Perguntamo-nos: como podem as coisas serem tão organizadas, tão perfeitas? Na tentativa de responder a esta questão Willian Paley (um padre do século XVIII) criou a analogia do relógio: é o relógio um objeto magnífico, com estrutura bem organizada e teve um criador; logo, a natureza, muito mais complexa que o relógio, deve também ter tido um criador.
É este o argumento usado pela maioria dos teístas. Mas, como explica Dawkins, é um argumento falho:

Sabemos agora que a ordem e a aparente intencionalidade do mundo vivo aconteceu por intermédio de um processo completamente diferente, um processo que funciona sem a necessidade de qualquer autor e que é uma conseqüência de leis físicas basicamente muito simples. Este é o processo de evolução por seleção natural, descoberto por Charles Darwin e, independentemente, por Alfred Russel Wallace.

.

• Qual a ligação entre as religiões e a astrologia?

Depois, o filme confunde a génese da astrologia com a génese da religião; no mínimo trata-se de desonestidade intelectual, porque a astrologia, conforme a conhecemos hoje, nasceu entre os caldeus como uma ciência empírica, e não como uma religião. Os sumérios e caldeus construíram observatórios planetários em forma piramidal para melhor poderem observar os astros, ao mesmo tempo que adoravam os seus deuses (Baal, entre outros) que nada tinham de relação com as observações astrológicas que faziam. Foram mesmo as religiões budista e hindu que, mais tarde, influenciaram a astrologia, e não o contrário. Por exemplo, os nódulos lunares, a Roda da Fortuna e a interpretação cármica, que podemos ver na astrologia, foram nela introduzidos pelos astrólogos budistas e hindus, e nada existe nessas religiões que tivesse origem na astrologia dos caldeus.
Muito sinceramente, ou eu não estou a ver bem o ponto de vista do filme, ou ele não faz qualquer sentido.

Necessário outro ‘à parte’: No filme se demonstram as ligações existentes entre astrologia e as religiões; em nenhum momento é dito que uma é causa da outra.

Também é necessário que não se confunda astrologia com astronomia, esta última sendo a ciência abordada pelos sumérios e caldeus.
Veja mais:
Sumérios
Caldeus
História da astronomia

• Devemos interpretar o Antigo Testamento ‘à letra’?

O Antigo Testamento foi escrito para ser interpretado à luz do Conhecimento de uma determinada época. Muitas vezes, os Criacionistas ideológicos confundem “Génesis” com “génese”. No Génesis bíblico está inscrita uma verdade simbólica, e os criacionistas levam esse simbolismo “à letra”, dando um trunfo importantíssimo para quem coloca em causa a ideia do Criacionismo. Isto é, os criacionistas dão constantemente tiros nos seus próprios pés.
Nos Estados Unidos, algumas religiões interpretam de tal maneira o Antigo Testamento “à letra”, que anunciam aos seus fiéis que o mundo foi criado à 10 mil anos, e que os dinossauros habitavam a Terra até há cinco mil anos. Como pode uma religião sobreviver se não tem em conta a realidade?
A ignorância da maioria não é só aproveitada pelos que pretendem transportar, de uma forma literal, conceitos bíblicos com mais de 10 mil anos para o tempo moderno; a ignorância da maioria também é aproveitada pelos que querem denegrir a imagem das religiões. Chegou, pois, o tempo de as religiões começarem a “jogar limpo”, demarcando-se dos princípios argumentativos orientadores do ateísmo mais abstruso. Há que dizer claramente às pessoas: a verdade da Bíblia é simbólica, é uma forma de transmitir a verdade de uma forma que toda a gente entenda, o que não quer dizer que tenha que ser interpretada “à letra”.
O Criacionismo científico é uma visão crítica do racionalismo dogmático darwiniano. Da mesma forma que Kant colocou em causa o “inatismo” racionalista de Descartes, o
Criacionismo científico coloca em causa o darwinismo, e não há mal nenhum nisso. Pelo contrário, abrem-se as portas para que as “certezas” do antropocentrismo ideológico que governou o século XX sejam temperadas com a dúvida que refreia a deificação do Homem. Quando o Homem se considera como sendo Deus, aparece gente como o Hitler, Mao, Estaline, Pol-pot e outros. Como escreveu Dostoyevsky, “ Se Deus não existe, tudo é permitido” incluindo arrancar olhos.

Ao abordar esta questão, necessário frisar o que defendem os teístas:

Deus é onipotente, onisciente, onipresente, bom justo e perfeito. A bíblia o tem como autor intelectual e o texto nela constante reflete as características divinas.

É esta a síntese do pensamento teísta. Que seja! Vamos às perguntas da platéia:

– Se assim for, pode o teísta escolher qual passagem da bíblia deve ser entendida como literal?
– Tendo a bíblia tal autor intelectual, como admitir-se os absurdos históricos e científicos nela existentes?
– Se gênesis está errado e por este motivo temos de expurgá-lo, como então explicar a criação inteligente? (lembrando o movimento existente nos EUA para a inclusão da teoria do Design Inteligente como opção ao Evolucionismo).

Sobre o argumento extraído de Dostoievski, forneço outro retirado de André-Comte Sponville ao explicar a alegoria do Anel de Giges :

“…o anel de Giges é um espelho singular: ele reflete nossos vícios nus e crus; mas, com isso, nossas virtudes também aparecem melhor. Somos menos bons do que tentamos parecer: é bom saber; mas também somos melhores do que se poderia temer: não devemos ignorá-lo tampouco. Vários de nós, se tivessem o anel, o utilizariam para fazer mais bem do que podem ou ousam fazer hoje e acrescentariam aos erros que já cometem apenas outros na verdade insignificantes. Conheço gente que nem mesmo a realeza faria mentir. Não é Giges que assim quer. Ou antes, nem todo mundo é capaz de querer. A não ser que se torne invisível para si também….Mas quem pode tornar-se? Dostoiéviski se engana: mesmo se Deus não existe, não é verdade que tudo é permitido. Porque – invisível ou não – eu não me permito tudo: tudo não seria digno de mim…”

• Devemo-nos ater às datas e efemérides religiosas de tal maneira que coloquemos em causa a mensagem da religião? O que é mais importante: ter a certeza que Jesus nasceu a 25 de Dezembro, ou ter a certeza que Jesus pregou a paz entre os homens?

Madre Teresa de Calcutá nasceu num determinado dia, e só foi registado o seu nascimento no Registo Civil albanês, três meses depois. Há 50 anos ou mais, era uma prática comum, mesmo em Portugal, que a data oficial de nascimento não coincidisse com a data natural de nascimento. Será que, por este facto, podemos colocar em causa a personalidade, as virtudes e a obra de Madre Teresa de Calcutá?
Segundo cálculos modernos, Jesus de Nazaré terá nascido em Setembro (provavelmente, dia 8 de Setembro), e não no ano Zero da nossa Era. Cálculos comparativos com eventos oficiais da época, propõem uma data de nascimento de Jesus entre 6 e 3 a.C.
A atribuição do dia 25 de Dezembro para o nascimento oficial de Jesus foi decidida no Concilio de Niceia, presidida (não oficialmente e não presente, como é obvio) pelo Imperador Constantino, e ter-se-á feito coincidir a celebração da data do nascimento de Jesus com as festas pagãs do solstício de Inverno. Pergunto: em que é que este facto desvirtua a mensagem de Jesus Cristo?
As insinuações do filme são de manifesta má-fé, e atingem a irracionalidade. Seria como se dissemos que Madre Teresa de Calcutá era uma mentirosa, porque os pais dela só registaram o seu nascimento três meses depois de ela ter nascido. Um típico exemplo de ataque Ad Hominem, um completo absurdo.

Muito se engana o autor deste texto ao afirmar a natureza pacífica de Jesus ou de sua humildade (argumento geralmente usado pelos teístas para justificar a crença no NT). E isso não é invenção de minha mente maquiavélica, consta no próprio texto sagrado, senão vejamos:

– Sobre a humildade de Jesus:
Conceito de humildade:
Humildade = s.f. Modéstia, submissão, pobreza, inferioridade,
Humilde = adj. 2 gên. Modesto, simples, despretensioso.
Fonte:
Dicionário Houassis

I Coríntios 8:6 – Todavia, para nós há um só Deus, o Pai, de quem são todas as coisas e para quem existimos; e um só Senhor, Jesus Cristo, pelo qual são todas as coisas, e nós também, por ele.
João 12:49 – Porque eu não tenho falado por mim mesmo, mas o Pai, que me enviou, esse me tem prescrito o que dizer e o que anunciar.
João 12:44: “Quem crê em mim crê, não em mim, mas naquele que me enviou.”
João 15:26- 27 – Quando, porém, vier o Consolador, que eu vos enviarei da parte do Pai, o espírito da verdade, que dele procede, esse dará testemunho de mim; e vós também testemunhareis, porque estais comigo desde o princípio.
João 10:30 – Eu o Pai somos um.

Note que em Matheus, Jesus disse que era:

– “Maior do que o templo”

Mateus 12:6 aqui está quem é maior que o templo.

– “Maior do que Jonas”

Mateus 12:41 E eis aqui está quem é maior do que Jonas.

– “Maior que Salomão”

Mateus 12:42 E eis aqui está quem é maior do que Salomão.

Desde quando uma pessoa humilde humilha outras?
Uma mãe humilde e desesperada, pois sua filha estava possuída por um espírito maligno, foi humilhada e rebaixada a esculachos por Jesus Cristo. Ele simplesmente a comparou aos “cachorros” e só a ajudou após ela se humilhar ainda mais pra ele!

“Marcos 7, 25-30:pois uma mulher, cuja filha possuía um espírito imundo, logo que soube que ele estava ali, entrou e caiu a seus pés. (Essa mulher era pagã, de origem siro-fenícia.) Ora, ela suplicava-lhe que expelisse de sua filha o demônio. Disse-lhe Jesus: Deixa primeiro que se fartem os filhos, porque não fica bem tomar o pão dos filhos e lançá-lo aos cães. Mas ela respondeu: É verdade, Senhor; mas também os cachorrinhos debaixo da mesa comem das migalhas dos filhos. Jesus respondeu-lhe: Por causa desta palavra, vai-te, que saiu o demônio de tua filha. Voltou ela para casa e achou a menina deitada na cama. O demônio havia saído.”

Nota: Ele acabou socorrendo, mas somente após ela ter se humilhado perante ele.
– Sobre o pacifismo de Jesus:
– xenofobia = uma mulher Cananéia pediu socorro à sua filha. O ‘mestre’ retorquiu: (Mateus 15:24)

“Não fui enviado senão às ovelhas perdidas da casa de Israel.”

– incitação à violência = Palavras do próprio ‘mestre’:

“…Não cuideis que vim trazer a paz à terra; não vim trazer paz, mas espada; Porque eu vim pôr em dissensão o homem contra seu pai, e a filha contra sua mãe, e a nora contra sua sogra; E assim os inimigos do homem serão os seus familiares…”

Mateus 10:33-34
– ódio = segundo palavras do ‘mestre’, para seguí-lo, era necessário odiar seu pai, sua mãe, seus filhos, sua mulher, suas irmãs, e sim, até a si mesmo.entre familiares (Lucas 14:26).
Os teístas geralmente alegam que a palavra correta é aborrecer. Explico: os tradutores brasileiros ‘amenizaram’ a passagem que originalmente é:

“Luke 14:26 If any man come to me, and hate not his father, and mother, and wife, and children, and brethren, and sisters, yea, and his own life also, he cannot be my disciple.”

Hate significa odiar.

Assim, pouca ou nenhuma importância tem o texto o valor dos ensinamentos da figura mitológica.

• Poderemos considerar como sendo ‘estranho’ ou como sendo uma ‘cópia religiosa’, que algumas leis morais do Budismo sejam coincidentes com leis morais do Cristianismo, do Islamismo ou mesmo da religião dos índios americanos?

O filme diz-nos que os 10 mandamentos de Moisés são uma “cópia” de alguns mandamentos da religião politeísta egípcia. Não sei se a informação é correcta, mas não acho estranho que existam coincidências de leis morais e éticas em todas as religiões.
“Não matarás” é uma lei moral que existe até na religiosidade dos esquimós ou no animismo africano. Porque é que o filme insinua um “plágio” religioso em sede da Ética?
Para além disso, eu próprio já escrevi aqui sobre as relações íntimas entre os semitas e os Impérios Antigos, da Babilónia ao Egipto. Em que é que essas relações culturais beliscam o Judaísmo? É bem provável que tenham existido influências mútuas em matéria de religião. Mas qual é o problema dos autores do filme nesta matéria? São contra o ecumenismo religioso? Não toleram o intercâmbio cultural e religioso? Não admitem que uma religião se transforme, se modifique, fruto da evolução do pensamento humano? O que é que querem provar? Sinceramente, não percebi.

O autor diz que ‘não sabe’. Não sabe por não haver pesquisado. Para facilitar a vida do leitor, fiz uma pesquisa básica, cujo resultado segue aqui. Para encontrar o ‘Feitiço 125’ (ou ‘Encantamento 125’) mencionado no filme, basta que dê Ctrl+F e digite ‘125’.

Aliás, não é demais ressaltar que os hebreus eram verdadeiros ‘paga-pau’ dos egípcios. Na bíblia encontramos mais de setecentas (isso mesmo: 700!) menções aos egípcios, enquanto que em toda a literatura (ou quaisquer outras fontes egípcias) encontramos uma única menção à Israel. E isso não sou eu quem afirmo, mas Israel Finkelstein e Neil Silberman in “A Bíblia não tinha razão”.

Quanto ao argumento principal, não vejo problema algum na aculturação. O problema é a mais forte idéia sobre religião “Minha religião está certa”

• Existem ligações simbólicas entre o paganismo e o catolicismo?

Estamos cansados de saber que existem. As “virgens negras” da Europa de Leste são imagens pagãs, que foram recuperadas pelo cristianismo. A noite de S. João é a noite pagã do solstício de Verão, cujos rituais pagãos foram assimilados pela Igreja Católica com a celebração do dia do apóstolo. O dia 25 de Dezembro está próximo do solstício de Inverno. E por aí fora.
O que é que estas sobreposições de datas tem a ver com a mensagem de Cristo? Em que é que a mensagem de Cristo sai prejudicada nesta “recuperação” de efemérides por parte da Igreja Católica? Será que os autores do filme consideram mais importante os aspectos formais da religião do que o seu conteúdo? Foi o que me pareceu.
Em tudo o resto, daquilo que vi do filme, pareceu-me a “venda da banha da cobra” (literalmente). Trata-se de mais uma “americanada”, desta feita, libertária marcusiana e marxista cultural.

Confunde o autor dois temas distintos: a existência de iconografia pagã no catolicismo e a suposta ‘importância dos ensinamentos cristãos’.

Sobre a importância dos ensinamentos cristãos tenho a dizer que trata-se de uma ilusão. O que mais se observa na Bíblia são atrocidades, crueldades, mentiras e erros.

No que se refere à presença de iconografia pagã no cristianismo, o filme fala por si só. Neste mesmo blog há uma barra de vídeos onde o leitor pode assistir ao filme.

No mais, plagiando um amigo “Quem estuda sabe, quem não estuda, acredita”.

Fim da primeira parte.

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5 Responses to “A maior e mais velha história já contada”

  1. Compartilho da idéia de manipulação de massas. Compartilho dos plágios. Compartilho da necessidade de purificação proposta pelas “religiões”. Compartilho com a busaca da verdade como autoridade e não da autoridade como verdade. Compartilho do fenômeno astro-teológico. Entretanto, como psicanalista, além de teólogo, compartilho da necessidade de zelo e responsabilidade na exposição das verdades, pois o choque abrupto entre crenças pode provocar uma ondo de surtos e despersonalização abrupta.

    Pior que manter o plágio como verdade é usar da verdade como instrumento de despersonalização, ainda que este uso seja desprovido de dolo, ou seja, fazê-lo com a intenção de prejudicar outrem.

    No mais, congratulo-os pela coragem deste inusitado debate.

    Abraço,
    Chafic Jbeili
    Mestre da Ordem de Hórus
    http://www.ordemdehorus.v10.com.br

  2. Obrigado por comentar no meu blog. Já havia visitado o seu e comentado, semanas atrás.

    A idéia do meu post foi transcrevê-lo, para quem prefere ler ao invés de assistir, devido a isso estou tomando o cuidado pra ilustrar bem o post com cenas do filme, as cenas básicas já postei, mais tarde farei revisões pra ver se há necessidade de colocar mais.

    Abraços.

  3. Ih….

    Parece que alguém ficou ofendido. Não foi, realmente esta a intenção. Estava num paradoxo:

    a) se não cito a fonte, poderia ser acusada de desonestidade, ao não permitir que a pessoa se defendesse,

    b) se cito, a pessoa se sente ofendida.

    E então? Optei pela última.

    Mãs……meus argumentos sobre a beleza/valor das mensagens deixadas pelo Cristo-Jesus não foram rebatidas, foram?

    Abraços!
    😉


  1. 1 Zeitgeist 3 (e último) « perspectivas