Mulheres que Amam Demais?

30jan08
MADA

Em uma palestra que mantive com um amigo, um dos assuntos abordados foi como seria possível à pessoas normais (sem nenhum grau de insanidade) desenvolverem dependência emocional, tornando-se ‘viciado/a’ em outra pessoa.

Meu interlocutor desenvolveu uma espécie de teoria, que denominou de “Teorema do Vandré”, a qual assim se resume:

“O objeto desta teoria são pessoas.
E existem os seguintes fatores envolvidos:
Fator 1 – Somos em tese únicos responsáveis por nossas decisões, certo?
Fator 2 – Algumas pessoas têm tendências a baixa auto-estima.
Fator 3) Não existe regra que diga que fulano ou beltrano tenha tendência a isso então
(atenção a essa parte) A PRIORI todos nós, seres humanos temos essa POSSIBILIDADE.
 
Junte tudo e temos o teorema Vandré
Pessoas escolhem o que querem da vida. Algumas têm baixa auto-estima e tendem a se escravizarem a algo que elas alegam que não podem viver sem. Isso acarreta que crápulas mal-intencionados usam tais pessoas em benefício próprio
Todos nós já nos sentimos pra baixo, sofremos por amor. Mas temos que distinguir o que é um sentimento puro e um entorpecente.
Qdo a pessoa precisa daquilo como uma droga
A PRIORI tal coisa pode acontecer com todos nós.
Temos que ter equilíbrio e saber dosar.
A PRIORI pode ser com você, comigo ou com qualquer um.
EM PRINCÍPIO, mas não como uma LEI definitiva.
O grande perigo de tudo isso reside num fato:
Se uma pessoa se escraviar à outra, esta outra a dominará.
Se esta outra perceber que a pessoa dominada será capaz de uma idiotice pra ficar com ela
(meu, meu, meu AHAHAHA, VC É MEEEEEEEU),
ela pode (dependendo de seu caráter) usar isso em proveito próprio.”

Observo que o texto supra é apenas um resumo do tal teorema, haja vista que, não tendo anotado, tive de valer-me de minha memória, que não é fotográfica.

Refleti muito sobre o teor da palestra, observei inúmeros exemplos que conhecia (e outros citados por meu amigo); concomitantemente, aproveitei a experiência (até então guardada) que obtive da leitura de inúmeros Termos Circunstanciados dos Juizados Especiais Criminais (muitos dos quais relatavam casos de violência doméstica) , além dos Inquéritos Policiais oriundos da Nova Lei Maria da Penha.
Após o processo, percebi que ele tinha razão, que qualquer um poderia estar sujeito à tal situação.

Resolvi então fazer uma pesquisa básica sobre um grupo que já havia ouvido falar: MADA. No site deles encontrei inúmeras informações sobre o assunto. E, dados os perigos à que podem se sujeitar as pessoas que desenvolvem este tipo de dependência, resolvi publicar aqui neste espaço, a fim de contribuir, dando maior visibilidade ao assunto:

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1) O QUE É?

O MADA – Mulheres que Amam Demais Anônimas, é um grupo de ‘ajuda’, à espécie de outros similares, como ‘Alcoólicos Anônimos’ ou “Narcodependentes Anônimos”. O grupo não tem natureza religiosa e é gratuito.

2) COMO SURGIU?

O grupo foi criado baseado no livro “Mulheres que Amam Demais” (leia um breve resumo aqui), de 1985, da autora Robin Norwood, Ed. ARX.

A psicóloga e terapeuta familiar Robin Norwood escreveu o livro baseado na sua própria experiência e na experiência de centenas de mulheres envolvidas com dependentes químicos. Ela percebeu um padrão de comportamento comum em todas elas e as chamou de “mulheres que amam demais”. No final do livro ela sugere como abrir grupos para tratar da doença de amar e sofrer demais.

No Brasil o primeiro Grupo MADA foi aberto em São Paulo, por uma mulher casada com um dependente químico que se identificou com a proposta do livro. A primeira reunião do Grupo MADA – Jardins, em São Paulo, foi realizada em 16 de abril de 1994. Em seguida, no Rio de Janeiro, a primeira reunião aconteceu em 06 de julho de 1999.

3) QUEM SÃO OS USUÁRIOS DO GRUPO?
São mulheres que tem um vínculo que as une: acreditam que a dependência de relacionamentos afeta profundamente suas vidas. Reunem-se para partilhar suas experiências, fortalezas e esperanças.
 
4) COMO SABER SE PRECISO DE AJUDA?
– Basta responder, com a máxima sinceridade possível, ao seguinte questionário:

a) Torno-me obsessiva com os relacionamentos?

? Sim ? Não

b) Nego o alcance do problema?

? Sim ? Não

c) Minto para disfarçar o que ocorre numa relação?

? Sim ? Não

d) Evito as pessoas para ocultar o problema?

? Sim ? Não

e) Repito atitudes para controlar a relação?

? Sim ? Não

f) Sofro acidentes devido à distração?

? Sim ? Não

g) Sofro mudanças de humor inexplicáveis?

? Sim ? Não

h) Pratico atos irracionais?

? Sim ? Não

i) Tenho ataques de ira, depressão, culpa ou ressentimento?

? Sim ? Não

j) Tenho ataques de violência?

? Sim ? Não

k) Sinto ódio de mim mesma e me auto-justifico?

? Sim ? Não

l) Sofro doenças físicas devido a enfermidades produzidas por stress?

? Sim ? Não

Se você respondeu afirmativamente a três das doze perguntas, é uma mulher dependente das pessoas.

5) CARACTERÍSTICAS DE UMA MULHER QUE AMA DEMAIS:

– Vem de um lar desajustado, em que suas necessidades emocionais não foram satisfeitas.
– Como não recebeu um mínimo de atenção, tenta suprir essa necessidade insatisfeita através de outra pessoa, tornando-se superatenciosa, principalmente com homens aparentemente carentes.
– Como não pode transformar seus pais nas pessoas atenciosas, amáveis e afetuosas de que precisava, reage fortemente ao tipo de homem familiar, porém inacessível, o qual tenta, transformar através de seu amor.
– Com medo de ser abandonada, faz qualquer coisa para impedir o fim do relacionamento.
– Quase nada é problema, toma muito tempo ou mesmo custa demais, se for para “ajudar” o homem com quem esta envolvida.
– Habituada à falta de amor em relacionamentos pessoais, está disposta a ter paciência, esperança, tentando agradar cada vez mais.
– Está disposta a arcar com mais de 50% da responsabilidade, da culpa e das falhas em qualquer relacionamento.
– Sua auto-estima está criticamente baixa, e no fundo não acredita que mereça ser feliz. Ao contrário, acredita que deve conquistar o direito de desfrutar a vida.
– Como experimentou pouca segurança na infância, tem uma necessidade desesperadora de controlar seus homens e seus relacionamentos. Mascara seus esforços para controlar pessoas e situações, mostrando-se “prestativa”.
– Esta muito mais em contato com o sonho de como o relacionamento poderia ser, do que com a realidade da situação.
– Tem tendência psicológica, e com freqüência, bioquímica a se tornar dependente de drogas, álcool e/ou certos tipos de alimento, principalmente doces.
– Ao ser atraída por pessoas com problemas que precisam de solução, ou ao se envolver em situações caóticas, incertas e dolorosas emocionalmente, evita concentrar a responsabilidade em si própria.
– Tende a ter momentos de depressão, e tenta previní-los através da agitação criada por um relacionamento instável.
– Não tem atração por homens gentis, estáveis, seguros e que estão interessados nela. Acha que esses homens “agradáveis” são enfadonhos.

6) CARACTERÍSTICAS DE UMA MULHER QUE SE RECUPEROU OU EM RECUPERAÇÃO:

– Ela se aceita completamente, mesmo quando quer modificar partes de si. Existe uma autoconsideração e um amor por ela mesma que são básicos, e que devem ser alimentados.

– Ela aceita os outros como são, sem tentar modificá-los para satisfazer suas necessidades.

– Ela esta ciente de seus sentimentos e atitudes com relação a cada aspecto de sua vida, inclusive sua sexualidade.

– Ela cuida de cada aspecto dela mesma: sua personalidade, sua aparência, suas crenças e valores, seu corpo, seus interesses e realizações. Ela se legitima, em vez de procurar um relacionamento que dê a ela um senso de autovalor.

– Sua auto-estima é grande o suficiente para que possa aproveitar a companhia de outras pessoas, principalmente de homens, que são bons exatamente como são. Não precisa ser necessária para se sentir digna de valor.

– Ela se permite ser aberta e confiante com pessoas adequadas. Não tem medo de ser conhecida num nível profundamente pessoal, mas também não se abre à exploração daqueles que não estão interessados em seu bem-estar.

– Ela pergunta: “Esse relacionamento é bom para mim? Ele me dá oportunidade de me transformar em tudo o que sou capaz de ser?”

– Quando um relacionamento é destrutivo, ela é capaz de abandoná-lo sem experimentar uma depressão mutiladora. Possui um círculo de amigos que a apoiam e tem interesses saudáveis, que a ajudam a superar crises.

– Ela valoriza a própria serenidade acima de tudo. Todos os conflitos, o drama e o caos do passado perderam sua atração. É protetora de si mesma, de sua saúde e de seu bem-estar.

– Ela sabe que um relacionamento, para dar certo, deve acontecer entre dois parceiros que compartilhem valores, interesses e objetivos semelhantes, e que possuam ambos capacidade para serem íntimos. Também sabe que é digna do melhor que a vida tem a oferecer.

7) ENDEREÇOS

O MADA possui endereços em vários Estados. Para descobrir o endereço mais próximo de você, acesse o link abaixo:

ENDEREÇOS DO MADA 

8) GRUPO MADA ON LINE:

O MADA mantém um grupo de ajuda ‘on-line’, cujo endereço segue aqui.

9) OUTRO BLOG DEDICADO EXCLUSIVAMENTE AO ASSUNTO.

Descobri também que no wordpress há um grupo exclusivamente para o assunto, cujo endereço é:

GRUPO MADA.WORDPRESS

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8 Responses to “Mulheres que Amam Demais?”

  1. 1 anna

    nunca achei que precisaria de ajuda, mas por me sentir se,mpre infeliz em minhas relações agora tenho certeza que tem algo errado.
    estou no meu 2º casamento, o 1º não deu certo por q

  2. 2 Mari

    Deveria haver mais espaços on-line para o MADA… =\

  3. 3 rose

    Olá! Estou precisando muito de ajuda. Hoje 25/03/2010, pensei durante todo dia em ir a reunião (RJ), mas infelizmente cheguei do trabalho mt tarde e a reunião iria iniciar às 19 h, mas espero que semana que vem dê para ir . Estou sofrendo mt, e as vezes penso até mesmo em fazer uma grande besteira. Um grande abraço.

  4. 5 rose

    eu queria saber onde fica o enderço em maceio alagoas

  5. 6 juliane

    vcs poderia manda o numero do telefone de vcs q eu to precisando me desabafa um pouk com vcs

  6. Marky .

    Olá! Obrigada pela visita.

    Não concordo muito com o que dissestes “somos todos viciados em alguém” : VÍCIO definitivamente não é algo natural.

    Outro dia vi o nome de um blog ‘toda generalização é errônea, inclusive esta’ que tem tudo a ver: é necessário que tenhamos cuidado com as generalizações.

    Veja: uma pessoa pode ter recebido ‘amor normal’ e ainda assim começar a desenvolver um comportamento assim:

    a) Estamos todos sujeitos à uma queda no nível de estima;
    b) Neste estado, é fácil que nos apeguemos a algo ou alguém,
    c) O apego inicial pode vir a se tornar algo não muito sadio; meu interlocutor (amigo com quem tive uma palestra sobre o assunto) me fez ver isso; antes eu também achava que somente pessoas beemmm doentes mostrariam tais sintomas.
    d) Neste caso, o essencial é que a pessoa que está trilhando este caminho perceba logo o problema e tente resolvê-lo.

    Estereótipos não são bacanas!

    Por óbvio que nem tudo o que o MADA diz pode ser considerado absoluta verdade (aliás, ABSOLUTA VERDADE existe?): com aquele ‘blá-blá-blá’ de que existe uma força suprema (deus?) eu não concordo.

    Mas como tudo na vida, assimilemos o que há de bom e expurguemos o que há de ruim.

    De qualquer forma, achei que seria útil a todos escrever e divulgar uma pesquisa particular.

    Mais uma vez, obrigada por tua visita e comentário.

    Visitá-lo-ei em seu novo endereço.
    😉

  7. 8 Marky

    Penso que todos somos “viciados” em alguém, mas as pessoas (homens e mulheres) que não receberam amor “normal” tendem a desenvolver tal comportamento.

    Tenho algumas amigas que passaram por isso, o surpreendente era a baixa auto-estima e o nível de dependência emocional pelos caras. Aí, só ajuda profissional mesmo, pois os amigos cansam de dar conselho, etc.

    Abraços.

    PS: agora estou no http://markybrito.blogspot.com