Pérolas de um dêvogado

13jan08

Caros leitores,

Tendo tido acesso a uma pérola argumentativa, não poderia deixar de participá-la, para que os senhores julgassem por si mesmos.

Trata-se de uma petição formulada por advogado legalmente habilitado ao exercício da profissão, na qual tentava ele justificar o pedido de assistência judiciária gratuita (isenção de custas). Em minha modesta opinião, seria o caso de informar-se à OAB o ocorrido para possível apuração de infração o causídico (incisos IX e XXIV, do artigo 34 da Lei 8.906/94). Mas quem o faria? Por fim, tenho pena do representado, cliente que colocou nas mãos de dito advogado a defesa de seus direitos.

Segue abaixo a transcrição entre aspas e os comentários logo a seguir:

“…O contrato anexado à fls. 6 (original) Vossa Excelência pode perceber que a assinatura da autora é bem simples, passando assim a demonstrar sua característica, sua personalidade, comprovado que é uma pessoa honesta, pobre, com pouco entendimento…”

Bela falácia => desde quando uma assinatura com letra do tipo ‘garrancho’ é sinônimo de:

a) falta de erudição,
b) honestidade,
c) pobreza

1º Podemos observar, na vida cotidiana, médicos, dentistas, escritores, jornalistas et e al, que, não obstante vasta erudição, possuem letras quase ilegíveis,
2º Da mesma forma, desde quando tal tipo de letra é sinônimo de honestidade ????? :O
3º Ainda neste tópico, o tipo de letra indica a quantidade de dinheiro que uma pessoa possui?
4º Finalmente: uma pessoa não-erudita é, necessariamente honesta? Uma pessoa honesta, é necessariamente pobre? Uma pessoa não-erudita, é necessariamente pobre?

É de doer o coração!

“…não agiria como muitos agem, podendo arcar com as custas processuais e não o fazem, por simples ganância…”

Outra falácia => Desde quando a ganância (ânsia por acumular riquezas) é antônimo de honestidade, falta de erudição ou pobreza?

“…Conforme se verifica com a juntada da cópia do extrato do banco a autora é beneficiária do INSS, bem como a apresentação de sua declaração de isenta, pois não atinge o valor…”

Não atinge quê valor?

“…Portanto, trata-se de uma pessoa de tenra idade, auferindo ao mês o salário de aposentadoria de seu marido, conforme comprova com o extrato bancário…”

Como é que a autora poderia ser uma pessoa de tenra idade, se:

a) é aposentada do INSS,
b) recebe o salário (aposentadoria) de seu marido.

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Ai, meu G-zuis 😦 😦 😦

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2 Responses to “Pérolas de um dêvogado”

  1. Tera :

    Olá! Obrigada pela visita. Pois é, amigo, como estas vemos todos os dias e, infelizmente, pouco se faz para que o quadro seja mudado…

    Valeu pelo comentário, abraços!

    😉

  2. É infelizmente esse é o nosso Brasil!
    Onde todos enganam, fingem que não vêem e quando cai na boca do povo se fazem de bestas!!!!!