Seu Computador já pode ser desligado com Segurança? (a Internet e os sentimentos humanos)

16dez07

Internet

No último mês li três textos e vivi algumas experiências que me fizeram refletir um pouco sobre este mundo da internet.

O Primeiro deles, intitulado “Desconecte-se e faça um upgrade em sua vida”da autoria de Leandro Quintanilha (Revista Vida Simples, da Abril Cultural), o autor analisa vários aspectos do uso dos computadores.

Após o intróito, onde descrevia a utilidade profissional, o autor começou a discorrer sobre o uso da internet como meio de entretenimento:

“…Depois de passar uma parte do expediente na frente de um terminal, muita gente liga o PC assim que chega em casa. Para checar e-mails, sabe como é. Aí fica difícil resistir à tentação de dar uma furçada no orkut, comentar o blog de um amigo, ver o que está em cartaz nos cinemas. Quando se vê, lá se foi o fim de semana inteiro num clique..”

Quero ser ‘mico de circo’ se a maior parte dos usuários de internet/blogueiros no Brasil não se sentem retratados por esta única frase.

Veja bem: hoje é DOMINGO e cá estou eu, escrevendo neste blog…poderia estar fazendo milhões de coisas (o que pretendo, após terminar este texto), mas estou na frente de um PC!

O autor ainda acrescenta que ligar o pc tornou-se um gesto quase automático, como escovar os dentes, p. ex; narra sua experiência de deixar o PC desligado um final-de-semana inteiro, aduzindo, por fim, que a experiência tinha sido reveladora, no sentido de que tinha percebido que havia um munto muito mais interessante fora da net.

Finaliza o autor com um aviso: Estima-se que 10% dos usuários de computadores no mundo sejam dependentes do universo virtual.

O Segundo deles, intitulado “A Internet e o Amor Virtual” da autoria de Julio Dario Borges (http://www.digestivocultural.com/colunistas/coluna.asp?) analisava outro aspecto do uso da internet.

Informa o autor que referido aspecto do uso da internet foi abordado num livro “Amor na Internet, quando o virtual cai na real”, de Alice Sampaio.

Capa do Livro de Alice Sampaio

Segundo o autor, Alice Sampaio divide os amorosos internautas em categorias:

a) pessoas de meia-idade, marcados por separações/viuvez, que por insistência dos filhos acabam se cadastrando em sites e se encontrando por toda a vida. Tais pessoas abandonariam a vida virtual logo que encontrassem outro meio de vivenciar suas paixões, posto que buscam ligações duradouras,

b) adolescentes, que usam a internet para poderem experimentar novas forças de comunicação, aproveitando o fato de que podem, atrás de um monitor, exorcizar seus próprios medos e timidez.

c) usuários que usam a internet como válvula de escape para as pressões do quotidiano. Seriam eles pessoas que buscam apenas distrações, seja no sexo virtual, seja em amizades virtuais.

De forma bem madura, o autor do texto informa que o livro não aborda todos os aspectos do amor virtual, nem tampouco fornece conclusões definitivas.

O Primeiro deles, intitulado “Desconecte-se e faça um upgrade em sua vida”da autoria de Leandro Quintanilha (Revista Vida Simples, da Abril Cultural), o autor analisa vários aspectos do uso dos computadores.

O Terceiro deles, intitulado “Orkutcismo ” da autoria de Rodrigo Rocha (no excelente blog de meu amigo Rev.Peterson = http://orkutcidio.wordpress.com/2007/11/03/orkutcismo/#comment-833), o autor analisa também o aspecto do mundo virtual enquanto substitutivo do mundo real.

Lá iniciou-se um interessante debate, que, infelizmente arrefeceu com o tempo.

Amor na internet é poss�vel?

Num dos pontos mais fortes do texto, o autor narra uma história fictícia, que bem poderia ser real:

“…Como aconteceu isso? A menina tem o Orkut como página inicial do seu navegador. Teve um menino que ela se encantou. Mandou um scrap para ele dizendo que o menino era muito bonito e que seus gostos eram muito interessantes. Seus gostos? Sim. Ela entrou nas comunidades dele e se encantou. Ele gostava disso e daquilo. A mocinha pediu para adicioná-lo e ele aceitou. Afinal, o rapaz se sentiu orgulhoso com o scrap da menina…Finalmente no chatos dois descobrem que moram na mesma cidade. Depois de muitas digitações calientes e picantes, decidem se encontrar…Eles se encontram, e cabe à sua imaginação internética definir o final da estorinha…”

 O autor acaba inserindo em seu texto uma velada (ou seria explícita?) crítica à tais coisas, mencionando que onge e pequena. Eles se encontram, e cabe à sua imaginação internética definir o final da estorinha.

“…Essa cultura interessante de ler fotos e comentários pequenos, ao invés de livros introspectivos e de altíssimo nível intelectual, é mais fácil de ser assimilada. menos estressante, quem sabe? Afinal, como é bom passar o resto da noite lendo fotos e escrevendo, sem aquela vergonha, caso fosse uma situação real, mensagens provocantes para a atual namorada virtual. Ler livros, ou outros tipos de leituras: Só se for scrap ou a mensagem do amiguinho nos chats…”

Cabe aqui um aparte: o autor comete uma pequena falácia, ao concluir que a pessoa adepta a este tal de ‘orkuticismo’ não é capaz de se aprofundar em leituras de maior complexidade. Tanto isso pode ser verdade, quanto pode ser uma mentira.

Mas prossigamos => os motivos que me levaram a escrever o presente texto foram os seguintes:

a) minhas experiências pessoais vividas recentemente me levaram a um novo paradoxo: gosto de livros, ou melhor: eu os adoro. Nunca fui muito ligada à internet (meus amigos no msn sempre foram amigos que realmente conhecia pessoalmente), mas estou sentindo o que chamo de ‘meus movimentos internos’ e vejo que estou dedicando excessivo tempo à internet, coisa que resolvi mudar;

b) concluí que existem pessoas por trás dos monitores (oh…..que conclusão genial!! he he) e, do mesmo modo que nossa atuação as afeta, também a atuação/presença delas também nos afeta.  Até mesmo pessoas que não conhecemos têm o condão de nos afetar emocionalmente. Você ‘tecla’ com alguém que não conhece, se expõe, fala sobre sua vida e a pessoa faz o mesmo (Nota: até o citado autor, bem como o usuário do blog citado, tornaram-se meus ‘amigos virtuais’)

 Aristóteles disse que somos todos homens sociais, na medida em que não podemos ser imaginados longe do contato de outros de nossa espécie.

Penso que o Homem é (também) por natureza um ser emotivo, que não consegue deixar de se afetar pelos outros.

c) É sim possível que façamos amizades verdadeiras pela internet, desde que sejamos verdadeiros e abandonemos a tentação de ‘usarmos máscaras’ (fingirmos que somos uma pessa totalmente diferente do que realmente somos). É também possível que um coração traiçoeiro confunda tais relações ‘internautas’ com algo mais profundo…isso seria por deveras perigoso e poderia trazer sofrimento.

Enfim: como toda ferramenta, a internet tem de ser usada com moderação e cuidado. Ninguém deve perder de vista o fato de que o mundo real é fora da ‘Matrix’.

MEU COMPUTADOR ESTÁ SENDO DESLIGADO…..

🙂

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5 Responses to “Seu Computador já pode ser desligado com Segurança? (a Internet e os sentimentos humanos)”

  1. Santaum e Peterson

    Concernente ao debate, a mim pouco importa se será ele ressuscitado aqui ou lá, desde que seja ressuscitado (pouquíssimas coisas merecem virar ‘phoenix’ e esta é uma delas).

    Quanto ao vício, lanço a nós um desafio:

    Tentemos os três (cada um por seu turno) definí-lo e contextualizá-lo levando em conta esta questão em específico.

    Assim, poderemos confrontar nossas idéias sobre o assunto.

    Que tals?

    Mais uma vez, agradeço aos meus honrados visitantes.

    Abraços fraternos!

    🙂 😉

  2. 2 Rev. Peterson Cekemp

    Hummm… Texto muito bom.

    Minhas impressões:

    1) Oh yes. Eu gasto muito tempo na internet.

    2) Quanto às máscaras, isso é tão… relativo. Nem sei o que escrever sobre isso, mas é uma boa de uma verdade.

    Bye sis (parece até gíria do rap… hey bro, hey sis… haeheahaehea) =)

  3. Hummmmmmm…

    É verdade. Podemos continuar o debate lá, ou aqui. Aqui seria ótimo, como está sendo ótimo!

    Fátima, nesses dias eu estava pensando. Qual a diferença entre o vício e o gosto? Será que a internet é um vício ou algo bom que dá gosto? Quando se pensa em moderação, invariavelmente estamos omitindo o nosso gosto ou o nosso vício? Resumindo, entrar na internet é prazeroso e dá gosto ou é um vício? Ou vício dá gosto?

    Grande abraço.

  4. Santaum :

    Amigo, vc é rápido no gatilho, hein? 😉 Mal postei e já respondes?

    Minha crítica foi construtiva, bens sabes como gostei daquele texto e do curtíssimo debate que ele criou (pena que terminou).

    Hoje foi ele ressuscitado em face dos outros dois textos que li.

    Sinto pela tua amiga e pelo sentimento que se seguiu ao decesso dela. Sinto mesmo.

    Realmente não existe diferença, sentimos e ponto final! Pouco importa se a pessoa é de Minas, de Sampa, da Irlanda ou de Marte; se são as teclinas (Times New Roman, itálico, rosa e sublinhado) ou de outra cor, as pessoas são afetadas por nós e nós por elas.

    Quanto à pequena falácia que cometestes, oras, todos o fazemos, invariavelmente…veja: citar um autor, numa determinada discussão, pode ser considerada falácia da autoridade..entendes?

    Quanto ao mundo virtual…ainda estou pensando sobre isso, não cheguei à uma conclusão final e nem sei se chegarei.

    Obrigada pela visita, caro amigo.

    E pelo comentário.

    Abraços fraternos

    🙂

  5. Olá Fátima,

    Muito interessante a sua crítica ao texto Orkutcismo.

    Realmente deu a entender, pra alguns, que aquela passagem que você citou no texto destruiria intelectualmente os leitores do Orkut. Isso não é verdade, e nem foi isso o que eu quis dizer, hehehe. Apenas foi uma breve crítica a “leitura de fotos” que, a meu ver, não tem nada de intelectual e introspectivo. “Scraps”, no geral, com raríssimas ou quase nenhuma exceção, também não apresentam conteúdos de maior complexidade. Mas isso não quer dizer que a pessoa que pratica esses dois atos não é capaz de ler um livro mais profundo e intelectual. Pelo contrário, lê sim.

    A Edith, em um comentário dela no “Orkutcismo”, exigiu que eu escrevesse um outro post elogiando o Orkut, comentando as qualidades dessa ferramenta. E evidentemente existem qualidades. No entanto, na minha modesta opinião, ainda acho que essa ferramenta abrange mais coisas ruins do que boas.

    Sobre a amizade virtual, você comentou uma coisa interessantíssima. Aquela menina virtual que morreu de câncer era minha amiga virtual. E no dia que ela morreu, eu fiquei muito mal, mesmo não tendo conhecido ela ao vivo. Fiquei muito triste durante uns 3 dias. A amizade virtual causa algumas sensações parecidas com a amizade real. Não tem muita diferença.

    Excelente post.
    Grande abraço.