Clarence Seward Darrow – 1ª Parte

16dez07

2.2) Influência das Escolas Penais em seus julgamentos

Da leitura dos discursos/defesas de Darrow que chegaram até nós se a extrai as influências dos pensamentos das Escolas mencionadas. Senão vejamos:

a) Estado de Chicago versus Eugene Victor Debs

Eugene Vitor Debs Nascido em  5 de novembro, 1855 (Indiana – EUA), falecido em 20 de outubro de 1926 (EUA), aos 17 anos começou a trabalhar como bombeiro, nas ferrovias, em 1874 fundou a ‘Irmandade de Bombeiros de Ferrovias’, que inicialmente mais se preocupava na prestação de serviços aos filiados do que nas negociações coletivas. Rapidamente tornou-se proeminente e cada vez mais convencido da necessidade de uma abordagem mais unificada e conflituosa.

Em 1893, fundou um dos primeiros sindicatos industriais nos Estados Unidos, a American Railway Union (ARU).

Neste mesmo ano, foi preso em decorrência do cartel das ferrovias. Expliquemo-nos: na época, as ferrovias formavam uma espécie de cartel, cujo único objetivo era maximizar os lucros à custa da opressão dos operários. Para tanto, criavam listas negras: se um trabalhador reclamasse dos salários ou das condições adversas, era demitido e não mais conseguia emprego em nenhuma outra ferrovia do país.

Eugene organizou um boicote geral (11 de maio de 1894), à que aderiram em massa os trabalhadores, dada à insuportável situação que estavam vivendo.

Para se ter uma idéia da situação desumana à que se curvavam os trabalhadores, basta que informemos que muitos viviam na ‘cidade maravilhosa’ criada por George Pullman, que tratava-se, na verdade, de um verdadeiro túmulo caiado que servia de fachada à uma exploração cujos precedentes históricos remetem-nos às primícias da revolução Industrial.

A Cidade de Pullman

Tal cidade, supostamente construída como fruto de uma iluminação do seus criadores, como se este fosse movido por ideais humanistas, servia apenas para aumentar a dependência dos trabalhadores:

– para um trabalhador obter emprego na Pullman, tinha de residir naquela cidade,

– os alugueres cobrados pelas indústrias Pullman eram muito superiores aos de residências infinitamente melhores,

– tais alugueres eram debitados dos salários dos trabalhadores,

–  seu elevado preço obrigava estes últimos a alugar quartos, dividindo-os com outros trabalhadores,

– por fora, as casas da cidade eram belíssimas, por dentro tinham quase ou nenhum recurso essencial (havia apenas uma torneira, localizada no porão).

George Pullman

George Pullman (proprietário da Pullman & Cia) e os demais proprietários de ferrovias tinham como ‘ás’ tanto o poder econômico (que utilizavam para fazer pressão no governo federal americano) quanto a fragilidade do sindicato criado por Eugene.

O boicote era pacífico, mas Pullman & Cia mobilizaram a imprensa para que o caso fosse tratado com alarde digno de um estado de sítio. O Estado de Chicago não caiu na ‘lorota’, mas o Governo Federal interviu do mesmo modo, alegando que o boicote interferia na Agência de Correios e Telégrafos, serviço essencial que não poderia ser obstacularizado.

À época, Clarence Darrow era advogado que representava a corporação das ferrovias, mas, tocado pela injustiça que entendia ocorrer com Eugéne, Clarence ‘cruzou os trilhos’, pedindo demissão e oferecendo-se para defendê-lo. Referido passo pode ser considerado um marco em sua carreira.

Segundo a biografia romanceada de Darrow (escrita por Irving Stone), ao ser perguntado por John Peter Altged (então Governador de Illinois) sobre os motivos que o levaram a ‘trocar de lado’, aquele teria dito:

“…- O senhor sabe, governador: a maior parte dos homens faz coisas por umd esejo de escapar à dor. Já parou alguma vez para ver um homem cego pedindo esmolas numa esquina? Um homem passa apressadamente e, de repente, pára; parece magoado, aborrecido, volta e deixa cair uma moeda no copo do cego. Bem….talvez ele não pudesse abrir mão daquele níquel. Mas a visão do homem inválido de pé, abandonado numa esquina o magoa, faz que tenha uma sensação de responsabilidade social, e, por isso, ele compra de cêntimos de alívio da dor social. Também a mim muito magoa ver Debs e homens como ele correndo o risco de passar anos na prisão; e por isso, também estou comprando alívio…” (1)

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Nota: O assunto é longo, os discursos de Clarence, sua postura de vida e profissional são um grande tema, que não pode ser resumido por demais, sob pena de que fique descaracterizado. Assim, optamos por escrever o artigo em partes. Essa foi a primeira.

Como bônus, fornecemos abaixo um vídeo de um dos notórios julgamentos em que Darrow participou. Esperamos que apreciem.

 

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3 Responses to “Clarence Seward Darrow – 1ª Parte”

  1. André

    Agradeço sua visita e preciosa colaboração.

    Espero conseguir finalizar o artigo num curto espaço de tempo, para que todos possam entender as influências do Caso Scopes tanto no ensino científico quanto na história do Direito.

    Por tais corajosas atuações nos Tribunais sou fã de Clarence Seward Darrow , pena que no Brasil o nome dele não seja citado como mereceria.

    Mais uma vez, agradeço os preciosos comentários.

    Abraços.

    😉

  2. Fuçadas pela internet resultou em algo interessante: Existe um filme de 1960 sobre o caso Scopes. Seu nome é “Inherit the Wind” ; http://www.imdb.com/title/tt0053946/

    Pelo que constatar, consegue-se pegar o filme no eMule. Em formato Torrent eu não vi. No Legendas.TV não tem legenda pra ele, infelizmente. Se alguém achar, não esqueça de compartilhar a informação. 😉

    em minha modesta opinião, só não ganhou o Oscar por causa da crentaiada da Academia.

    Anyway, vale dar uma checada.

    May Force be with you!

  3. O caso Scopes mostra que a batalha que a religião insiste em travar contra a Ciência é tola, ainda mais com tolos que defendem o criaburricionismo. Pq isso? Pq se não defenderem o livrinho mágico com unhas e dentes, eles morrem.

    E aquela de Jonas foi hilária. hehehehe O “Cria” só faltou apelar pra Darrow: “Na cara não, prá num istragá o velório, dotô” hehehehe

    Religiosos insistem que tudo o que tá na Bíblia é verdade. Só quero saber como provarão que existiam dragões e unicórnios, como dito por Isaías, o Tolkien Bíblico. 😀