Nutrição – Psicologia – Alimentação Carcerária

10dez07

Texto de Fabiana Tardelli

Resumo

Este trabalho tem por objetivo, analisar a alimentação carcerária do ponto de vista psicológico e nutricional.É fato conhecido, os constantes debates e discussões em torno deste assunto tão polêmico, uma vez que em todas as ocasiões em que é abordado, divide opiniões e grupos que defendem pontos de vista diferente.

Uma parcela da população, acredita que os detentos são privilegiados, pois tem todas as suas refeições garantidas, sem que para isso seja necessário nenhum tipo de esforço ou trabalho de sua parte. Ficam indignados ao compará-los à trabalhadores, que em muitos casos, saem de suas casas ainda na madrugada, para fazerem jus à salários baixos no fim do mês, que não é suficiente nem mesmo para a aquisição do básico necessário à alimentação da família, sucumbindo todos os integrantes à privação e fome.

O grupo extremo, defende a idéia, de que o indivíduo sob reclusão, deve pagar apenas com a privação de sua liberdade, ficando-lhe reservado todos os demais direitos previstos na constituição, dentre os quais, a alimentação fica com o papel principal.

Para tal estudo, consultamos as principais notícias da atualidade relevantes ao assunto, entrevistamos nutricionistas e psicólogas ligadas à área e visitamos uma empresa do ramo de alimentação, cujo principal ramo de atividade é a alimentação carcerária.

Os resultados estão dispostos ao longo do trabalho e nos levam à crer que a interdisciplinaridade vêm crescendo e é de extrema importância para muitos ramos e, principalmente para este, já que alimentação vai muito além de nutrição, pois para que ocorra esta última, o indivíduo precisa escolher o que, como, onde e se quer comer, processo este que envolve muitos aspectos psicológicos.

Introdução

Este trabalho tem por objetivo, analisar a alimentação carcerária do ponto de vista psicológico e nutricional.

Métodos
Para tal estudo, consultamos as principais notícias da atualidade relevantes ao assunto, entrevistamos nutricionistas e psicólogas ligadas à área e visitamos uma empresa do ramo de alimentação, cujo principal ramo de atividade é a alimentação carcerária.

Resultados

A alimentação carcerária é um tema de extrema discussão na atualidade, sendo fato conhecido, os constantes debates e discussões em torno deste assunto tão polêmico, uma vez que em todas as ocasiões em que é abordado, divide opiniões e grupos que defendem pontos de vista diferente.

Uma parcela da população, acredita que os detentos são privilegiados, pois tem todas as suas refeições garantidas, sem que para isso seja necessário nenhum tipo de esforço ou trabalho de sua parte. Ficam indignados ao compará-los à trabalhadores, que em muitos casos, saem de suas casas ainda na madrugada, para fazerem jus à salários baixos no fim do mês, que não é suficiente nem mesmo para a aquisição do básico necessário à alimentação da família, sucumbindo todos os integrantes à privação e fome enquanto o Estado custeia alimentação farta para presos.

O grupo extremo, defende a idéia, de que o indivíduo sob reclusão, deve pagar apenas com a privação de sua liberdade, ficando-lhe reservado todos os demais direitos previstos na constituição, dentre os quais, a alimentação fica com o papel principal, devendo ser adequada tanto em quantidade como em qualidade.

Os detentos por sua vez, reclamam constantemente da comida servida, e alegam que lhes é ofertado apenas “porcarias e lavagem”, fazendo deste, o principal vilão para formação de motins e rebeliões e suas mães dizem que os filhos alimentam-se de comidas ruins e estragadas.

As instituições públicas penitenciárias, que ficam entre está discussão, têm entre suas atribuições, a promoção da saúde de seus internos e funcionários, através de alimentação saudável e condições ambientais para o trabalhador e o interno, reduzindo assim, riscos de doenças, acidentes e otimizando custos públicos.

O modelo prisional de alimentação, sofreu mudanças gradativas ao longo dos anos. A alimentação que antes era produzida por detentos de bom comportamento dentro da própria detenção, hoje em dia é confeccionada por empresas especializadas, sob supervisão de nutricionistas e seguindo rigorosos padrões de produção e higiene.

O cardápio é formulado por equipe técnica que inclui nutricionistas, que visam o melhor aporte calórico e nutricional, engenheiros de alimentos, responsáveis por definir quais alimentos terão ou não boa aparência após 2 horas do fechamento do marmitex ( mais ou menos o tempo que a refeição vai levar para chegar até o consumidor final e será aberta) e compradores, que estão sempre pesquisando e buscando no mercado novos produtos e alternativas que se encaixem no padrão necessário, para fazer com que o cardápio não cai na rotina.

Os detentos recebem 4 refeições, distribuídas em desjejum, almoço, café da tarde e jantar, que custa ao Estado valor aproximado à diária de R$ 7,50 por pessoa.

Falando em gastos mensais, chegamos à importância aproximada de R$ 137 mil.

Composto por arroz, feijão, prato principal protéico, guarnição à base de verduras, legumes, massas ou farináceos, salada, suco e sobremesa diariamente, o cardápio ainda conta com feijoada às quartas – feiras, lanches no sábado e domingo em substituição ao jantar e ainda menus variados para datas comemorativas como Dia das mães, Festa junina, Dia dos Pais, Dia das crianças, Natal e Ano Novo.

Os cafés, são compostos por pão (salgado e com margarina pela manhã e doce à tarde), café, chá e leite.

Além do básico, ainda é possível que a alimentação seja adequada as necessidades especiais à alguma patologia ou dieta específica.

Após sua formulação, o cardápio é executado por equipe de cozinheiros, saladeiros, lancheteiros, confeiteiros e açougueiros, altamente treinados e supervisionado por nutricionistas e técnicas em nutrição.

Todo o processo é rigoroso e segue padrões orientados pela vigilância sanitária. Tudo tem o controle de tempo e temperatura, do início ao fim do processo.

Após a finalização, a refeição é embalada em marmitex individual, que deve ter no mínimo 550 gr, e são acondicionados em embalagens isotérmicas, identificados e transportados por caminhão com tratamento térmico, próprio ao transporte de refeições.

Na detenção, não há refeitório destinado aos detentos, que recebem suas refeições nas próprias caixas térmicas, ficando encarregados da distribuição, os escalados para trabalho interno que apresentam bom comportamento, sob prêmio de redução de pena.

É ai que começam os problemas, pois todo o processo que até o momento além de contar com profissionais treinados e capacitados, foi supervisionado e orientado, passa as mãos de pessoas que não recebem nenhum tipo de treinamento ou orientação, o que ocasiona falta de refeição suficiente, subtração do prato principal dos marmitex antes da distribuição, transporte inadequado, que algumas vezes faz com que as caixas virem e os marmitex abram, esparramando e sujando tudo e demora na distribuição, que tratando-se de produto altamente perecível e sob armazenamento inadequado, pode ocasionar a deterioração do produto ou até mesmo o desenvolvimento de bactérias responsáveis por toxiinfecção alimentar.

De acordo com a OMS, as enfermidades causadas pela ingestão de alimentos contaminados ou substâncias tóxicas, constituem um importante problema de saúde pública. Em muitos países, casos de toxinfecções alimentares são muito freqüentes; no entanto seu registro oficial é deficiente, impossibilitando a obtenção de dados estatísticos reais da situação, pois 60% dos surtos de doenças de origem alimentar, são de alimentos contaminados e servidos em restaurantes ou locais institucionais de refeições coletivas. (SILVA et al, 2003)

Sendo assim, são ocorrências deste tipo, somados a falta de orientação e entendimento dos envolvidos (detentos e dirigentes) que elevam a má fama da alimentação carcerária, fazendo com que desavisados realmente acreditem que o que serve-se por lá é de péssima qualidade, beirando o absurdo de julgarem que chega a ser restos e alimentos deteriorados.

Investir nos recursos humanos que são responsáveis pela manipulação direta dos alimentos é aspecto importante, pois estes representam os principais agentes de responsabilidade, sendo esse o grande desafio dos gestores de Unidades de detenção, pois emerge a necessidade de bons conhecimentos técnicos, estrutura física adequada e uma política coerente de delegação de tarefas aos internos.

A alimentação ofertada nas casas de detenção/presídios não  dispõem em todos os grupos alimentares, apresentando variedades de hortifruti; componentes básicos da dieta regional para os carboidratos; quatro opções de alimentos fonte de proteínas de alto valor biológico; as frutas abrangem apenas duas opções; no grupo das leguminosas há duas opções, sendo este componente básico da dieta brasileira; entre as gorduras mais utilizadas estão as gorduras vegetais. (CARVALHO; PEREIRA, 2004)

Os alimentos oferecidos são capazes de oferecer as variedades de nutrientes necessários para suprir as cotas metabólicas do organismo, entre carboidratos, lipídios, proteínas, vitaminas e minerais. (CARVALHO; PEREIRA, 2004)

Os gêneros alimentícios contidos em ata de licitação, demonstrados na Tabela 1, destinam-se aos estabelecimentos penais do Estado, dispõe de variedades.

Um dos cardápios estabelecidos para os internos, com refeições sendo feitas a cada dia da semana durante todo o mês em acordo com a Organização dasNações Unidas (ONU), e segundo Mirabete (1997) onde todo preso deverá receber da administração uma alimentação de boa qualidade, bem preparada e servida, cujo valor seja suficiente para a manutenção da sua saúde e de suas forças, a alimentação nas prisões é de grande importância não somente pelos direitos do preso, e ressentimento em sua saúde pela sua insuficiência ou baixa qualidade, mas também porque é um poderoso fator que pode incidir positiva ou negativamente, conforme o caso, no regime disciplinar dos estabelecimentos penitenciários.

presidiário

Uma boa alimentação não vai fazer feliz um homem que está na prisão, mas evita os motins e, por isso, a alimentação não deve ser descuidada, mas pelo contrário, escrupulosamente atendida.
Como em citação feita por Monte et al (2004), o tempo gasto no planejamento do arranjo antes de sua implantação evita que as perdas assumam grandes proporções e permite que todas as modificações se interajam segundo um programa global e coerente, estabelecendo, assim, uma seqüência lógica para as mudanças, além de facilitá-los, sendo mais fácil movimentar modelos sobre uma folha de papel do que remover paredes ou movimentar máquinas.

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Nota da administração do blog:

1) Não concordamos com as condições sub-humanas à que estão sujeitos os detentos. As penas previstas em nosso ordenamento jurídico são: a) medida de segurança, b) privação de liberdade; sendo expurgado pelo mandamento constitucional as penas cruéis ou que impliquem tortura.

Inegável que muitos brasileiros que não infringiram qualquer norma vivem em condições piores do que os detentos, mas isso não tem o condão de justificar o total descaso de nossas autoridades.

2) O estudo acima postado está ainda incompleto, estando ausentes duas tabelas e a conclusão. Assim que possível providenciaremos a complementação do mesmo.

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5 Responses to “Nutrição – Psicologia – Alimentação Carcerária”

  1. Muito bom artigo Fabiana, nunca é demais alertar para problemas deste tipo.

    Um abraço

  2. Santaum

    É, meus irmãos são demais mesmo !
    😛 (psssttt: liga não, é ‘corujice’ mesmo)

    Quanto à minha ‘dedicação’: não gosto de escrever qualquer coisa, mas tampouco são meus textos dignos de uma cadeira na ABL, he he…

    Enfim: O que me entristece um pouco é que todos odeiam os presidiários…

    Plagiando Clarence Darrow, digo que “não odeio o pecador, mas sim o pecado”.

    Já conheci pessoas que ‘caíram’ no sistema penitenciário brasileiro…caíram por suas exclusivas culpas.

    Todavia, o tratamento que recebem é desumano; e entendo que a Humanidade não deve ser exclusividade de alguns poucos humanos: pertence a todos, indistintamente.

    É como aquela reportagem da Caros Amigos que comentamos (a do morador de rua vítima de homicídio)…lembra-se?

    A garotinha disse à repórter: ‘foi nada não, era SÓ um morador de rua’.

    Como assim ‘SÓ’? 😦

    Todos temos o mesmo direito.
    A pena é privativa de liberdade e não tortura.

    Assim, a falácia ‘eles vivem melhor que muito pai de família’ comigo não cola: TODOS (os pais-de-família, os detentos, os moradores de rua, cidadãos da classe média/alta, et e al) temos direito ao mesmíssimo tratamento.

    Então pergunto: quem gostaria que um membro de sua família, que cometesse um delito, fosse tratado da forma como todos os demais são?

    Simples assim.

    Obrigada pela visita, amigo. Abraços fraternos!

    🙂

  3. Verdade!!! Fabiana!!! Não Fátima. Mas enfim, os outros posts seus são muito dedicados, e isso é para poucos.

    Parabéns para a sua irmã.

  4. Santaum

    Olá amigo! 🙂

    Mais uma vez, obrigada pela visita.

    Para ser justa, necessito ressaltar que o texto não é meu, mas de minha irmã, estudante universitária que cursa Nutrição e Dietética.

    Apenas e tão-somente o comentário final (notas) é de minha autoria.

    Todavia, concordo contigo que o problema é sério e tem de ser enfrentado com coragem e equilíbrio.

    Abraços fraternos.

  5. Olá Fátima,

    Seus textos são muito bons. Percebe-se que em cada post você se dedicou bastante para escrevê-lo. Isso é para poucos.

    O tema da carceragem, como disse, é bastante polêmico. É só visitando estes lugares para entender como é complicada a situação lá.

    E infelizmente, esses problemas são históricos. O nosso país é um dos que menos investem em educação e não tem essa cultura ainda consolidada. Pouco se investe, por exemplo, no ensino fundamental. Alguns avanços já foram feitos, mas a educação ainda necessita de mais investimentos. Precisa ser priorizada. Primeiro é necessário trabalhar com a prevenção (formação digna dos jovens, com educação de qualidade, acesso a cultura e ao esporte) para que num cenário futuro alguns problemas como o que propôs excelentemente no seu texto sejam diminuídos.

    Texto muito bom.
    Grande abraço.