O Amor….ah, esta incógnita! (I)

28nov07

Coração apertado 

As postagens de um amigo em seu blog, me inspiraram a escrever sobre o tema. A primeira coisa que vem em minha mente, porém, é: “o que diabos é isso, afinal”?

Pois quem ousa dizer que nunca o sentiu, ou, tampouco tendo sentido, que sabe o que é?

Gostaria de ser eloqüente, não ter de emprestar palavras alheias, mas minha sapiência neste tema não chega a tanto, porquanto minh’alma tenha intuído o conceito, não assimilou-o por completo.

Como o assunto é muito vasto e penso que me estenderei um bocado nele, dividirei minha abordagem em partes, esta é a primeira.  

Betty Milan definiu o amor como uma espécie de espelho; amaríamos no outro o que nele enxergamos de nós mesmos:

“De dois fazer um, desejo do amor que precisa suprimir a diferença, igualar os amantes. Se o outro não se assemelhasse a mim, se eu nele não reconhecesse a minha imagem, não o amaria”.

Citando Carlos Drummond “Dois amantes se amam cruelmente, espelham-se um no outro e não se vêem”  ela desenha o amor como narcisístico.

E o que dizer do amor? Tão pouco sabemos…jovens, adultos, velhos…somos todos qual crianças trôpegas ao insinuarem os primeiros passos.

O amigo do blog (1)- é um velho de 15 anos de idade….e, postando sobre o amor, perguntou-se o que ele significa, já que uma outra ‘velha amiga’ (de 21 anos) havia-lhe ressaltado a juventude, associando-a à uma suposta incapacidade de incompreensão desta coisa que usualmente chamamos ‘Amor’.

Mas seria o tempo obstáculo ao amor? Haveria um tempo para amar? Uma idade mínima e uma máxima?

Como pode ou melhor, como pôde uma menina de 21 anos achar-se mais experiente em matéria de amor do que outro menino de 15?

Como poderia eu, aos 32, colocar-me como se estivesse acima deles?

Seria ‘amar’ algo que se aprende com a prática…como se aprende dirigindo um veículo automotor?

Não, intuo que não, mas agora sou outra…quando jovem (quando outra) também não possuía em meu coração tal grau de intuição.

Mas será possível analisar o amor nos diversos estágios da vida? Tentemos? 

1) O AMOR E AS FASES DA VIDA:

Amor entre crianças 

=> O amor na infância = Ah….a infância…..guardadas as devidas proporções, pode ela ser considerada o estágio mais encantador da vida! Quão simples são os dias, e ao mesmo tempo, quão complicados!

O que é o amor nesta fase? Não seria o amor do ‘encantamento’, encantamento simples, encantamento ingênuo, livre das paixões sensuais, dos apelos da carne.

É a doce fase do “será que ele/ela gosta de mim”? “Bem-me-quer, mal-me-quer”.

As meninas se encantam com os meninos (geralmente com os meninos ‘bonzinhos’, os maus só sabem atormentá-las), enquanto os meninos gostam das me…..ah, sei lá o que os meninos gostavam….

Para responder à pergunta, consultei um amigo. Ele me contou sobre o início da socialização, quando as crianças formam ‘bandos’ que não se misturam (os meninos perseguem as meninas e as meninas desprezam os meninos)…mas não soube me responder diretamente à questão “o que nas meninas encanta os meninos”…..Bom, deixarei em aberto, se algum gajo se dispor a responder, a autora agradece. 😛

Amor adolescente 

=> O amor na abo…er….adolescência = Ê fase complicada. Entram em cena os hormônios, e com ele a ‘acne’…Vixe……tormento.

Queremos ser bonitos, inteligentes, populares, obsediados. Oh, o céu é o limite!

Qual médico, advogado…qual o quê! Queremos ser cantores de rock, de preferência de uma banda bem famosa! Queremos ser atrizes, atores……He he, queremos o mundo!

Nesta fase precisamos todos de aceitação: amigos, paqueras….até inimigos ‘capitais’ arranjamos.

Mas e quanto ao amor? Não será este o tema do presente?

Ah, queremos o menino/menina mais bonito(a), inteligente, educado(a)……, queremos o cantor da banda adolescente do momento (na minha época era Menudo ou Polegar 😛 ) …queremos o melhor.

Os meninos ficam com a sexualidade mais aflorada (daí o sucesso de filmes como ‘A Primeira transa de Jhonathan’, ‘American pie’ et e al) e as meninas querem os príncipes encantados (tá certo que hoje em dia as coisas mudaram bastante…todo mundo parece querer sexo em abundância e cada vez mais cedo).

E quando amamos? Achamos que será eterno. Se ele não gostar de mim, certamente morrerei! Amor visceral.

Amor de adultos 

=> O amor na vida adulta/juventude (20 aos 30 anos) = Bom, nesta fase temos de conquistar nosso espaço no mercado de trabalho…aliar trabalho à Faculdade não é tarefa fácil.

Mas todos sobrevivemos à tal intérpere.

Mas também é difícil…ganhar dinheiro, estudar, namorar….aff….haja fôlego.

Nesta fase o que os homens querem? Uma namorada bonita, legal, charmosa. E as mulheres? Um cara bonito, legal, charmoso (santa imaginação).

Mas daí começam as complicações: as preocupações com o futuro. As mulheres sempre pensam no futuro, os homens querem fugir dele.

Daí o motivo pelo qual os homens sempre acham que as mulheres querem amarrá-los.

Mas e o sexo? Queremos experimentar, mas queremos monogamia. Morremos de ciúmes, mas queremos liberdade.

Achamos que seremos eternos, como se fôssemos ‘Highlander”. Achamos que a juventude ficará ao nosso lado para sempre, e que o amor é um sentimento exclusivo da juventude.

 Amor aos 40

 => O amor na vida adulta/maturidade I (30 aos 40 anos) = Nesta fase as mulheres querem homens menos infantis/imaturos. Homens cavalheiros, gentis, decididos e vigorosos…(como o Capitão Rett Butler, do filme “E o vento levou”) que as tratem como damas. O problema maior é que geralmente os homens nesta fase, ainda estão presos ao ideal da ‘ninfeta’. Conflito de gerações? Não sei bem ao certo.

Muitos homens simplesmente não aceitam a idéia da passagem do tempo. Ah…mulheres também não, entram os Renews da vida, as dietas intermináveis.

O amor nesta fase está mais ligado à idéia de uma relação duradoura.

Quem não é ainda casado, fica com um certo temor de ficar sozinho, quem já é, acaba deixando o amor esmorecer como o sol num fim de tarde, por vezes em nome da ‘família’, dos ‘filhos’ ou de um comodismo injustificado mesmo.

Triste fim….

 Amor aos 50 anos

=> O amor na vida adulta/maturidade II (40 aos 50 anos) = Estabilidade. Nesta fase se ainda existe casamento, geralmente ele está sendo levado a ‘fogo brando’. A idade que chegou, os filhos se tornaram adultos. Como redescobrir o amor? Aliás, como redescobrir interesses além filhos?

Hora de se ‘reinventar’, se ainda quisermos sentir a vida pulsar…Ou então deixamos o barco correr, para depois chorar.

Os homens cultivam uma ‘barriguinha’, as mulheres, por vezes deixam as ‘gordurinhas’ tomarem conta de tudo.

Mas isso não é o pior, o pior é deixar se apagar o interesse pelo  outro.

Não era o amor a busca, no outro, de nós mesmos? Se assim o for, não podemos olvidar de cuidar também do outro.

Quem não quer ser querido, desejado? Só mesmo assim para querer e desejar. Nem merece atenção a desculpa da rotina, vivemos ‘rotinas’ desde que nascemos…logo, a ‘desculpa esfarrapada’ não cola.

Amor aos 60 

=> O amor na vida adulta/velhice ? (50 em diante) = Aconchego. É, nesta fase, se um relacionamento sobrevive, é ele sinônimo  de aconchego, companheirismo, cumplicidade.

Não que a vida tenha acabado…nem mesmo a sexual (viagra neles!).

Mas o amor é sim possível. Como posso saber se não cheguei ainda nesta idade? Ah…….aprendi com Gabriel (Garcia Marquez), em “O Amor nos Tempos do Cólera“.

Belo livro, bela poesia em prosa, belo exemplo da possibilidade do amor na velhice.

As partes que mais me tocaram foram as seguintes:

a) A personagem do idoso esperou a vida toda para ter a mulher de seus sonhos nos braços. Quando conseguiu, a juventude tinha sido substituída por uma flor colhida há tempos.

E chega a noite de amor. Ele sente o cheiro da velhice nela, mas não se importa, por saber que ela também sente o cheiro dele.

b) Eles se amam, na forma de amor que lhes é possível. E querem ficar juntos. Mas as ‘convenções sociais’ pintam como vergonhosa a situação da viúva apaixonada…e ela se envergonha. Estão eles num navio, de propriedade da companhia dele. Ela vê os novos passageiros que irão embarcar, velhos conhecidos. E não deseja ser julgada pelo amor que sente. Ele consulta o capitão “existe algum meio que permita que um navio navegue sem ter de aportar?”, o capitão responde “sim, coloquemos a bandeira do ‘cólera’ e, havendo doença contagiosa a bordo, não teremos de aportar, exceto para abastecer”, então ele, enquanto dono, dá a ordem “faça-o”, e assim o fazem. A certa altura da jornada o capitão pergunta “até quando viajaremos sem destino?”. A personagem calcula o tempo (anos, dias, horas, minutos, segundos) que esperou para ter a amada consigo e pensa responder com exatidão. Mas percebe que não viverá tanto e responde “até o fim da vida”.

 

Fim da primeira parte

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(1) A página do meu amigo é esta:

http://orkutcidio.wordpress.com/

Os artigos que me inspiraram a escrever o presnte foram esses:

http://orkutcidio.wordpress.com/2007/09/17/dicas-de-seducao-com-kierkegaard/

http://orkutcidio.wordpress.com/2007/11/27/ah-a-inquisicao-do-amor/

Uma visita vale muito a pena. 🙂

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19 Responses to “O Amor….ah, esta incógnita! (I)”

  1. oi como vai

  2. Olá para vc também!

  3. olá!!!!!!!!!!!

  4. Diego

    Sê bem-vindo!

    Obrigada eu, pelos elogios e pela visita. Volte sempre!

    Abraços!

    😉

  5. adorei suas imagens parabens excelente gosto…
    muito obrigado…

  6. Olá :

    A imagem foi retirada do seguinte link:

    Abraços.

  7. 7 Eduardo Rodrigues

    Ola,
    gostaria de saber se a primeira imagem do artigo é de autoria sua.

    Se fosse, gostaria de saber se posso utiliza-la como simbolo de uma comunidade do orkut sobre amor vegetariano.

    Grato pela atenção,
    Eduardo Rodrigues

    ietsira@gmail.com

  8. Alzi :

    Seja bem-vindo (a). Agradeço sua visita e comentário, convidando-te para que apareça mais vezes.

    🙂

  9. 9 alzi

    linda

  10. Joselaine

    Seja bem-vinda!

    Obrigada pela visita e pelo comentário.

    Abraços fraternos!

    🙂

  11. 11 joselaine

    lindoparabens obrigado pela oportunidade da visita !!!!!!!!!

  12. Ahhh sim. Verdade, a promessa inicial era atualizar os posts uma vez por semana. Confesso que nas últimas semanas o blog tem sido atualizado de 10 em 10 dias, hhehehe. Essa foi minha promessa, postar semanalmente. Marcílio posta umas duas vezes por mês e o Victor quando ele quer. Vitão tá na taxa de uma vez por mês. Acho que esse mês ele deve postar. Na minha opinião, os melhores posts são dele. Sensacional.

    Mas de qualquer maneira obrigado por cobrar, e principalmente por ler lá.

  13. Santaum

    Não foi uma correção, foi apenas um observação, não me entendas mal. 🙂

    Obrigada pela visita e vê se atualiza o seu ‘pensitivo’!

    Abraços.

  14. Pois é. Pois bem. Tava refletindo sobre isso. Realmente parece mais paixão do que amor. Aquele sentimento de necessidade até conseguir o que necessita. E não seria um sentimento negativo, e sim um prazer negativo, não necessariamente uma coisa negativa.

    Parece que realmente o amor vai além desses conceitos. Obrigado pela correção da confusão.

  15. Santaum

    Olá!

    A idéia da primeira parte (sobre o amor) era abordar exatamente a questão destes ‘padrões’.

    Mas será que o Amor segue algum padrão?

    Só não entendi uma coisa do que dissestes:

    ‘o amor é um sentimento igual àquele que quando vc está com fome’.

    Comparas o amor à uma necessidade física?
    Não seria isso mais paixão do que amor?

    Mais uma vez, obrigada pela visita e pelo comentário.

    Abraços. 🙂

  16. Ahhhh, bem selecionadas as fotos, hehehe.

    Muito bom.

  17. Olá Fátima,

    Realmente seu post foi muito interessante.

    Interessante os “padrões” gerais que abordou sobre as faixas de amor. O mais interessante ainda é que, resumidamente, os padrões que você citou, na juventude seguem o corpo, na velhice, o sentimento interno que excelentemente comentou no texto. Nessa sua discrição, o jovem é corporal e uma pessoa na velhice é bem menos corporal. De fato, na “maioria” das vezes, isso acontece.

    Respondendo a sua pergunta no post, o que os meninos encantam nas meninas? Na faixa idade de que você propôs, pelo menos pra mim na época, era somente a bunda, o cabelo, a cintura e se ela beijava bem. Mas isso mudou, hehehe. Não penso mais assim, hehehehe.

    Na minha visão, o amor é um sentimento igual àquele quando você está com fome. É uma coisa que te incomoda até o momento que você entra em contato com ele diretamente. Não sei se estou sendo claro e, apesar de descrevê-lo como sentimento negativo, não seria na verdade algo negativo. Seria um sentimento negativo num instante pré. É análogo quando deseja comer um chocolate. É um fenômeno fantástico e natural que temos para suprir nossas necessidades e fraquezas. Afinal, a gente precisa amar e dependemos do outro para isso.

    Ótimo-longo-ótimo post. Parabéns Fátima.

    Grande abraço.

  18. Reverendo amigo; amigo Reverendo!

    1) A idéia não foi fazer uma radiografia; a bem da verdade, eu apenas pensava sobre o assunto; especialmente devido ao ‘julgamento’ que sofrestes de tua amiga de 21 anos. Pensava nos ‘padrões’ de amor…daí saiu o texto.

    2) Penso, ou melhor: sinto que emoções são como cavalos selvagens, prefiro-as livres do que aprisionadas.

    Seguir qualquer padrão faria com que eu me sentisse como um animal domesticado; mas mesmo que minha natureza se revolte contra tal situação, ainda assim certos padrões ‘sociais’ nos me aprisionam.

    Nas palavras de Rousseau “o homem nasceu livre, e não obstante, está acorrentado em toda parte. Julga-se senhor dos demais seres sem deixar de ser tão escravo como eles”.

    3) Curioso que os ‘padrões culturais’ sempre sofrem mutações, e de uma hora para outra, o que é ‘certo’ ou ‘errado’, moralmente ‘aceitável’ ou ‘inaceitável’, muda sem aviso prévio.

    Meu amigo, preciosas tuas palavras, adorável tua visita.

    Obrigada! 🙂

  19. 19 Rev. Peterson Cekemp

    Excelente radiografia dos padrões que, visivelmente ou de forma sutil, coordenam as noções que temos de vida amorosa.

    Podemos nós romper esses conceitos e esses “filtros” culturais de amor, libertando-nos de vendas temporais e culturais sobre ele, e podendo assim entrar em contato com um sentimento forte e único? Talvez o sentimento seja o mesmo, mas canalizado de outra forma? Explicando: talvez sintamos a mesma coisa, mas o senso de “dever social”, i.e o que consideramos “normal” para nosso grupo social E idade nos leve a fazer certas coisas em nome do mesmo sentimento, e chamarmos essas conseqüências, essas atitudes, do sentimentos.

    Confundimos, talvez, atitudes (conseqüências externas do sentimento) com o próprio sentimento. E assim julgamos as atitudes dos outros.

    Engraçado essa necessidade de julgar… Por vezes me sinto perdido em meus próprios conceitos, e sinto necessidade de definir bem o que quero dizer com alguma coisa – há vários posts meus assim… – mas será que as pessoas sentem tanta confusão com o amor, que precisam sempre definí-lo? Precisam procurar sempre tomar o sentimento pelas atitudes que ele causa? Isso costuma ser triste, pois esperamos do outro as mesmas atitudes que nós tomaríamos se estivéssemos amando. Meio que julgamos o que o outro sente, sem realmente poder saber o que o outro sente.

    Uma coisa curiosa: quando conversamos com pessoas mais idosas (isso é muito evidente nesses Globo Repórter da vida, hehehe), eles dizem que o principal segredo de um casamento / uma relação bem sucedido (a) é o companheirismo, a cumplicidade… Curiosamente a mesma coisa que você colocou como a representação do amor pra eles.

    Acho que esse ensinamento não é entendido por alguém mais jovem que eles – porque não tem a mesma representação do amor que eles têm, como você mesmo escreveu ;). Ao mesmo tempo, se alguém mais jovem que eles admira esse ensinamento, ainda assim será que vale a pena seguí-lo? É só uma representação, de qualquer forma. Só mais uma forma de ver um sentimento através das atitudes que ele motiva. E ainda que todo esse trajeto sentimental seja, digamos, algo “natural”, vale a pena tentar escapar desse script? – A última frase pode parecer um hino ao comodismo e à aceitação. Talvez seja; mas mesmo assim é interessante levantar esse tipo de questão. Às vezes a aceitação é muito mais algo ativo do que uma atitude passiva.